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A próxima geração da Inteligência Artificial já vem vindo

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Nem bem chegamos a entender direito o que é e como funciona a Inteligência Artificial do presente e lá vem bucha novamente com a Inteligência Artificial do futuro: em estado de desenvolvimento, diariamente, em vários labs corporativos, startups avançadas e academias do mundo, a nova geração da Inteligência Artificial será a mesma, só que evoluída a partir de features que tem já hoje, que serão melhorados e evoluídos.

Em artigo pulicado a Forbes, o analista e consultor, colaborador da publicação, Rob Toews, nos dá uma pista de como será essa nova AI.

Inicialmente, ele nos lembra que a AI que temos hoje, radicalmente presente em nossas vidas cada vez mais e evoluída a partir de descobertas que vem sendo acumuladas incrementalmente ao longo de décadas, começou mesmo a bombar a partir do início da década de 2010. Faz, portanto, cerca de 10 anos. Só.

Mas foram já 10 anos avassaladores e ele alerta que a AI que temos hoje será obsoleta em 5 anos e que, nesse período, novidades que nem imaginamos hoje vão surgir, e que tendências que estão apenas em estágio embrionário de desenvolvimento agora, se tornarão mainstream.

É nessas que ele aposta suas fichas para prever como será a cara dessa nova AI.

Resumidamente, ele sinaliza três grandes macro tendências, que reproduzo abaixo a partir do artigo dele da Forbes.

  1. Aprendizado Desassistido (Unsupervised Learning) – o aprendizado de máquina (Machine Learning), que por sua vez é uma das áreas da Inteligência Artificial que mais evolui e mais afeta nosso dia a dia, funciona hoje a partir de inputs categorizados inicialmente por humanos, que colocam algoritmos e dados organizados segundo padrões e agrupamentos previamente classificados por eles, para em seguida, sob uma etiqueta geral (label) que identifica cada grupo de informações, alimentar a base da AI em que se está trabalhando.

 

Essa categorização humana é obviamente mais lenta do que uma máquina poderá fazer.

Pois é esse avanço, determinante para o incremento da velocidade e precisão na gestão do Machine Learning, que mudará. O aprendizado tenderá a ser cada vez mais desassistido por humanos e conduzido integralmente pelas máquinas.

  1. AI Privacy – As questões ligadas a privacidade de dados estão obviamente no coração das preocupações de todos em todo o mundo e como a invasibilidade se tornou global, praticada por governos e empresas internacionalmente, a Inteligência Artificial, que viabiliza a excelência dessas invasões e vigilâncias ilegais, deverá passar a ter, em si mesma, algoritmos que resolvam essa questão de forma automatizada e, tipo, passando a fazer parte do próprio corpo da AI em si, se é que me explico.

Seria como se AI tivesse já embedadas em seus códigos-base, regras que considerassem as normas das leis de privacidade como princípios tecnológicos de origem e a base de tudo que se desenvolva em cima deles a partir dali. A AI Privacy passaria a ser default. Original de fábrica.

Não é um passo apenas de evolução tecnológica esse. Há inúmeras outras questões éticas, legais e de compliance envolvidas. Quem é do mal, vai se lixar para essa questão e boas.

O que o nosso articulista se preocupa em sinalizar aqui é que, do ponto de vista tecnológico, isso está em discussão e no pipeline evolutivo de AI. Será mega bem-vindo se de fato isso ocorrer.

  1. Transformers – não, não são os personagens da série. É um pouco mais complexo. Estamos falando aqui da área de Inteligência Artificial conhecida como NLP, ou Natural Language Processing. Tenho falado bastante sobre essa ferramenta de AI, ou esse set de algoritmos de AI, que domina cada vez melhor a nossa linguagem humana escrita. Estamos vivenciando avanços impressionantes nesse âmbito e em post recente falei sobre o experimento talvez mais badalado do momento, que é o do GPT-3,

 

https://www.proxxima.com.br/home/proxxima/blog-do-pyr/2020/09/17/um-robo-escreveu-este-texto.html

 

em que a máquina recebeu alguns inputs e criou um texto analítico e com um sofisticado raciocínio conceitual de cair o queixo.

Pois é no âmbito da NLP que acontece o fenômeno Transformers. Eles são rotinas que permitem que a análise e processamentos que hoje ocorrem de forma linear, tipo palavra por palavra, possam ocorrer em paralelo e simultaneamente. Já que máquinas não entendem significados, mas dados e processos encadeados, signifiquem eles o que significarem, as palavras são consideradas como unidades isoladas que podem ser concatenadas e dispostas dentro de uma lógica humana de compreensão lá no texto final pronto, mas que antes disso podem ter sido trabalhadas e agrupadas de “n” formas que a máquina desejar, desde que isso otimize a agilidade do processo. As relações entre as palavras, dessa forma, ganham uma nova lógica, a lógica paralelizada da máquina. Isso é o Transformer.

Assim, chegamos a um rápido overview de como a Inteligência Artificial vai evoluir. Avanços espantosos. Todos bem-vindos, sempre desde que usados para o bem de todos nós.

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