A Lei de Moore está indo pro saco e o preço dos chips pode disparar

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Mr. Gordon Moore é um químico. Mas um detalhe mudou sua vida: foi cofundador da Intel. E lá, brilhantemente, percebeu que havia um ciclo projetado e repetido historicamente na indústria de microchips e processadores usados em computadores, registrando o aumento de 100% de sua capacidade de processamento a cada 18 meses. Pelo mesmo custo. Um achado não só de percepção de como essa indústria funciona, mas que também nos revelou como tudo em nossa vida, hoje totalmente dependente do processamento de máquinas, se desenrola. Ele, de certa forma, nos entregou uma espécie de bolinha de cristal de como pode vir a ser nossa vida no futuro.

 

A lógica financeira e de negócios da que ficou então sendo conhecida como a Lei de Moore é que os ganhos de capital auferidos com a comercialização de chips é reinvestida em novas pesquisas, auto-financiando o avanço de 100% citado por Moore.

 

Ocorre que agora, enfrentamos um gargalo novo: parte desses investimentos era e são aplicados na nano-miniatuização dos chips. E assim, em chips cada vez menores, vínhamos conseguindo enfiar cada vez mais capacidade de processamento.

 

Mas a possibilidade de miniaturização está chegando a seu limite e ganhos de escala antes bastante possíveis são agora cada vez mais difíceis, e caros, de serem obtidos. Resultado: o tempo investido nesses avanços aumenta e o custo desses mesmos avanços aumenta também.

 

E a Lei de Moore está indo pro saco.

 

Em se confirmando essa tendência, o impacto na indústria de computação é enorme. E, por via de consequência, em nossas vidas computo-dependentes também, minando assim toda a cadeia das forças econômicas que alimentam nosso rápido crescimento tecnológico das últimas décadas. Particularmente, na última década, com a Lei de Moore bombando a mil.

 

A Lei de Moore vem sendo observada e serviu como parâmetro dos avanços nesse setor nos últimos 50 anos, impactando todos os setores da economia. Mas seu dead end e a má notícia que isso significa foi apontada em estudo publicado na revista especializada Communications of the ACM pelos cientistas da computação Neil Thompson e Svenja Spanuth, no qual os dois defendem a hipótese de que o ciclo do feedback positivo – a reinversão dos ganhos na venda de chips no avanço da própria indústria – está chegando ao seu fim. 

 

Tudo isso pode levar a indústria a investir em chips que possam fazer tarefas mais especializadas e não em chips mais generalistas, como os que temos hoje. 

 

Construir chips especialmente projetados para tipos específicos de tarefas pode trazer aumentos de desempenho significativos, mas eles poderão ser adotados apenas em mercados pequenos, de nicho. Difícil dizer o impacto disso nos avanços computacionais daqui para a frente.

 

As probabilidades de quebra desse impacto na indústria da computação são a computação em nuvem, que reduz a demanda por microprocessadores. E, claro, a ainda embrionária e misteriosa computação quântica.

 

Até lá, no entanto, deveremos enfrentar mesmo é um baque no ritmo até agora acelerado da Lei de Moore, com os consequentes impactos dessa desaceleração em todos os avanços que conhecemos.

 

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