Tecnologia aumenta disparidades sociais

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O cenário futuro não aponta para um quadro muito animador, quando observamos a evolução do progresso tecnológico da forma como ele vem se desenvolvendo hoje. Com os dados que temos agora, o que se desenha é uma sociedade mais exclusivista e privilegiada se consolidando, em detrimento de sociedades mais inclusivas pela via da tecnologia.

 

Há ganhos coletivos indiscutíveis. O fato de termos hoje vacinas contra a pandemia do Covid-19 que, mesmo que aos poucos, mas indiscutivelmente, vão se espalhando pelo mundo para um sem número de camadas sociais é, sem dúvida, uma conquista tecnológica global de caráter mais inclusivo do que díspare. Ponto para a tecnologia.

 

Outro dado que podemos atribuir, mesmo que em parte, às conquistas tecnológicas, é o fato de termos hoje menos populações em estado de extrema pobreza do que há anos atrás. Veja o gráfico abaixo.

 

Óbvio que esses dados exprimem também, de alguma forma, as políticas públicas. Mas não haveria como atingir essas taxas sem a contribuição da tecnologia e suas conquistas.

 

Há estudos que comprovam que o acesso à tecnologia permite que todos, socialmente, acabem sendo beneficiados positivamente por ela. Mas o problema está exatamente aí: na palavra acesso. 

 

Os avanços tecnológicos recentes são de tal forma sofisticados e complexos, que, salvo exceções, parecem apontar para que, cada vez mais e mais, poucos tenham acesso a seus benefícios. 

 

Vejamos, por exemplo, os avanços tecnológicos comparativamente entre os centros urbanos e o meio rural. É evidente que nas cidades o acesso aos benefícios das mais avançadas tecnologias ocorre de forma mais acelerada e igualitária do que no campo. Isso pode ser que mude, mas fundamentalmente, essa divisão deverá permanecer vigente nos próximos anos.

 

Olhemos o acesso aos avanços das telecomunicações. O 5G vem aí e ele, certamente, será de acesso prioritariamente para as populações do topo de pirâmide não só mais rapidamente, como também mais profundamente. Ao longo dos anos, como vimos ocorrer com os outros “Gs”, esses avanços deverão chegar aos demais estratos sociais das populações. Mas a regra do “divide” seguirá válida.

 

Mas é na ponta tecnológica, nos avanços da inteligência Artificial, que talvez se concentrem as maiores preocupações. A Inteligência Artificial avança em velocidades que não conhecíamos antes (efeito da exponencialidade) e a probabilidade é que aqueles que tiverem antes acesso a seus avanços se distanciem muito rapidamente daqueles que não, e isso pode constituir um quadro em que o gap só se acelere na mesma velocidade exponecial, em vez de tender a se equalizar. 

 

Vamos acompanhar e, se possível, exercer pressão política para que essa democratização dos avanços tecnológicos possa ocorrer de forma menos elitista e mais inclusiva.

 

Por enquanto, fica o alerta: o quadro atual aponta na outra direção.

 

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