O risco da Inteligência Artificial decidir quem empregar. Ou não.

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Marcel é o sistema operacional do grupo Publicis, de publicidade, que faz gestão de tarefas e projetos dentro da companhia, utilizando para isso Inteligência Artificial. O algoritmo faz a gestão otimizada das tarefas e faz com que a força de trabalho e os colaboradores, assim como clientes, possam se beneficiar da otimização e velocidade que a plataforma introduz no sistema.

 

Isso é IA gerindo força de trabalho.

 

Ano passado fui procurado por um empreendedor israelense, que me ofereceu para ser seu advisor numa outra plataforma, um marketplace de força de trabalho, em verdade, que faz o mismatch de colabores freelas e jobs plotados no sistema. O algoritmo identifica qual ou quais perfis profissionais se adequam àquele job e promove o encontro entre as partes. 

 

Eu achei mega interessante, só não me associei porque minhas atividades na Macuco Tech Ventures, hoje já com 25 startups, estão já no limite e eu não seria um bom sócio para meu amigo de Israel. Mas achei legal.

 

A plataforma dele também era IA gerindo força de trabalho.

 

Semana passada, a federação sindical nacional do Reino Unido, a Trades Union Congress (TUC), alertou sobre “enormes lacunas” na lei sobre a implantação de IA no trabalho e pediu uma reforma legal urgente para evitar que os algoritmos causem danos generalizados aos funcionários, como registrou o site ZDNET.

 

O título da matéria é de alto impacto: “Algorithms will soon be in charge of hiring and firing. Not everyone thinks this is a good idea”

 

A tendência de que a Inteligência Artificial faça uma série de tarefas no âmbito da força de trabalho, desintermediando e agilizando tarefas e decisões que, antes, eram eminentemente humanas, deve ser uma tendência. Será inevitável.

 

Mas o que precisa ser evitável é, como tudo que envolve a Inteligência Artificial, a burrice. E os exageros. E a cegueira irresponsável de quem desenvolve os sistemas e quem os contrata e implanta nas empresas, como se ética fosse algo que a IA pudesse estar isenta de.

 

Uma das áreas aparentemente mais sensíveis, porque de mais fácil acesso e implantação, seria aquela em que IA passaria a ser utilizada para analisar CVs de jovens candidatos a vagas mais juniors nas empresas. 

 

Filtros e critérios bem calibrados e eticamente concebidos podem otimizar essa seleção, mas o olhar e a gestão humana, numa área que se chamava, genericamente, de Recursos Humanos, parece ser, indefinidamente e sempre, necessária.

 

A IA seguirá nos confrontando o tempo todo com decisões como essa. E não podemos, de forma alguma, fugir delas e enfrentá-las, sempre com nosso código moral embaixo do braço. Gente é gente. IA é outra coisa.

 

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