O gargalo da mão de obra no setor tech tende a apertar ainda mais
Veja a perspectiva do setor tech aqui no Brasil.

O gargalo da mão de obra no setor tech tende a apertar ainda mais

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Estudo do ano passado, já bastante conhecido do setor de tech e Comunicação, dá conta de que o País vai precisar de 70 mil novos técnicos em atividades como Data Analytics, Gestão da Informação, Big Data e Ciência de Dados, além de nuvem e inteligência artificial. Mas a previsão, na época da publicação do levantamento, revelava que o País iria produzir apenas 46 mil novos profissionais na área. Pois mesmo sem um estudo mais recente, basta olhar para o lado e constatar que, muito possivelmente, esse gap deve ter aumentado e não o contrário.

 

Dez em dez empresas que utilizam esse tipo de mão-de-obra hoje no País – pergunte, se você não é do ramo – enfrentam hoje um problema recorrente: alta rotatividade desse perfil de profissionais, salários recorrentemente crescentes, concorrentes “roubando” colaboradores de concorrentes, resultando tudo isso em crítica falta de recursos para a expansão e desenvolvimento de negócios das empresas que dependem desse tipo de serviço e especialidade.

 

A perspectiva de que esse quadro não sofra alteração e que, possivelmente, piore, se deve a dois fatores nada novos para a história do País: baixa taxa de formação profissional no setor, por um lado, e expansão dos negócios tech em todas as áreas para as quais olhemos hoje em dia.

 

Muitos chamam esses profissionais de profissionais de TI, Tecnologia da Informação, o que é verdade. E aí outros tantos podem imaginar que se trata daquele profissional que cuida da rede da empresa e conserta os computadores quando eles quebram. 

 

Pois não é nada disso. Quer dizer. é isso também só que muito mais.

 

Estamos falando das habilidades e disciplinas que citei acima, bem mais sofisticadas e elaboradas em termos de soft skills. 

 

Necessário entender que não se trata mais de uma necessidade restrita às áreas tipicamente tecnológicas das companhias, mas a uma série de outras áreas de operação e negócios. O RH precisa desse profissional. O marketing idem. A área de produtos também. A de vendas também. Todo mundo hoje precisa de um analista de dados ou de um profissional que cuide, tecnologicamente, da performance de vendas, por exemplo.

 

Como não vemos nenhum investimento governamental focado no problema, nem um movimento significativo das universidades, particulares ou públicas, para mudar esse quadro, restam os cursos técnicos, que são ótimos e essenciais, mas que sozinhos, possivelmente, não vão dar conta do recado.

 

Muitas empresas estão, elas próprias, desenvolvendo cursos de capacitação, como saída não só para criarem novos recursos dentro de casa, como também para reter os talentos já contratados.

 

Isso é muito importante, sem dúvida, mas é pontual, quando o problema é estrutural. 

Tudo indica, os negócios que demandam técnicos seguirão crescendo e demandando mais e mais profissionais com esse perfil.

 

Caberia, talvez, às associações de empresas que gravitam em torno dessa demanda, que ocupassem esse espaço oco para incrementar o gap de formação. Com apoio e suporte das próprias empresas em necessidade. Juntas, poderiam, eventualmente, endereçar uma solução mais estruturada e do tamanho que o problema exige.

 

Sem isso, o gargalo deve continuar apertado. A disputa, acirrada. Os salários, subindo. E as empresas com esse pepino para resolver.

 

 

 

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