Audiência costumava ser o público que observava algo que lhe era apresentado na forma de algum tipo de conteúdo, para sua informação ou entretenimento. Algo por aí.
Uso o verbo no passado, porque audiência, hoje, além de continuar sendo isso, passou a ser também um amontoado de outras coisas, mais ou menos conexas a esse conceito original.
Por exemplo, quando uma mensagem de texto chega pelo celular de alguém oferecendo uma oferta relâmpago num site de ecommerce, esse alguém atingido é audiência? Sim, é.
Quando, dentro de um game, o gamer recebe o impacto de uma marca, esse gamer é audiência? Sim, é.
Quando um outro alguém baixa um aplicativo, qualquer um de uma empresa qualquer, esse outro alguém é audiência? Sim, é.
E se a mensagem chegar para mim num aplicativo do meu relógio, quando entro numa loja física num shopping, sou audiência. Sim, claro.
E se, no painel do meu carro conectado, eu receber um push de qualquer anunciante, sou audiência? Opa, óbvio.
Mas e se eu ouço em casa uma mensagem da Alexa, aí não sou audiência, né? Engano… sigo sendo, sim, audiência.
No mundo on demand do streaming, a fragmentada comunicação esparsa em vários formatos ainda não muito categorizados, o que se espalha nas plataformas em formato de comunicação impacta audiências? Sim, impacta audiências. Ninguém sabe medir isso direito, mas seguimos falando de audiências.
E quando tudo isso acontece ao mesmo tempo agora, como é que determinamos nossas audiências e de que maneira controlamos o que ela vê, assiste, lê ou ouve?
Hoje, é ainda impossível fazer esse controle com absoluta precisão. E o que é ou não é audiência fica meio que perdido num limbo caótico, que pomposamente chamamos de omnicanalidade, mas que é mesmo uma baita de uma confusão de …. bem … audiências. Que não sabemos qual é, onde de fato está e o que, na verdade, anda fazendo, vendo, assistindo, lendo ou ouvindo.
Sem contar a atenção. Quem vê algo, mas não presta a menor atenção (algo cada vez mais presente nas sociedade contemporâneas, bombardeadas por todas as multi-opções que listei acima), é audiência? Sem dúvida. Audiência que não serve para nada, mas que é considerada, sim, tecnicamente, audiência.
O conceito clássico de audiência segue sendo válido, mas as práticas de sua aplicação se embaralharam de tal forma que, em verdade, as audiências se tornaram tão complexas e em canais tão difusos, que elas mesmas se tornaram, igualmente, fluidas. Muitas vezes, intangíveis.Difícil de pegar. Medir, então, nem se fala.
Esse o conundrum da audiência. Decifra-me, ou você não me pega.