Campo aberto para inovação na área de cannabis

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Por Marcelo de Vita Grecco 

O mercado legal da cannabis conta com um ecossistema de cadeia produtiva novo e em formação. Isso significa que estamos vivenciando o momento mais estimulante para a concepção de iniciar negócios. Area fértil para inovadores, inventores e empreendedores. Bem fértil. Na origem, temos várias possibilidades no agronegócio, desde o trabalho genético à colheita. Além disso, a cannabis é uma planta que pode estar presente em 25 mil aplicações industriais. Acha pouco? E o potencial no segmento de saúde e bem-estar? Gigantesco. E, claro, tem os desenvolvimentos no setor farmacêutico e de uso adulto.

De fato, há uma explosão de ideias em andamento neste exato momento. E, assim, temos uma infinidade de produtos com inserção de algum elemento canabinóide, somente para citar uma das vertentes a serem exploradas. São cervejas artesanais, águas gaseificadas e aromatizadas, suplementos alimentares, cremes dermatológicos, cosméticos, perfumes e, até mesmo, absorventes com canabidiol (CBD) para aliviar as dores do período mestrual. Agora que você entendeu a amplitude do horizonte à frente e sua mente deve estar girando em alta rotação, vamos organizar um pouco. Isso ajuda no foco.

Considere que a indústria legal da cannabis possui cinco dimensões. A primeira engloba a cannabis como uma Commodity. Em seguida, temos a Industrial, que é uma das mais prolíficas e pense nessa dimensão como geradora de produtos não voltados ao consumo direto humano. Depois vem Saúde & Bem-estar, direcionada a produtos para o consumo direto humano, englobando, além do setor de alimentos e bebidas, a linha de produtos over the conter (OTC). A quarta dimensão é a do setor farmacêutico e a última engloba o uso adulto.

Aplicações a partir da cannabis podem estar atreladas, muito facilmente, a um propósito verdadeiro e, especialmente, à sustentabilidade. Mas nem tudo são flores. Usualmente vemos muitas pessoas falar dos movimentos de sucesso. Desta forma, vou começar justamente apontando o caminho das pedras.

Alguns projetos ótimos falham porque suas lideranças estão muito atreladas a uma ideia e ficam cegas para feedbacks importantes. Outro ponto relevante é que nesse mercado não adianta pensar em tiro curto, somente para entrar e pegar uma fatia do bolo. Neste setor, a prova é de longa distância. Portanto, prepare o fôlego para tentar desenvolver algo realmente novo ou que extraia o máximo de novas tecnologias. Afinal, a semelhança de um projeto com outras iniciativas em ascensão não é garantia de sucesso e, assim, tentar surfar uma onda pode não ser uma boa ideia.

Adicionalmente, vale cautela com uma armadilha previsível, mas não óbvia. O nascimento de um setor envolve um boom e as possibilidades geram grande entusiasmo nos negócios. Esse clima de novidade e frescor chega aos consumidores e os empolga. Tudo isso pode formar uma bolha e o final você já pode imaginar.

Por conta desse contexto, a construção da cadeia produtiva em torno da cannabis exige profissionalismo e responsabilidade. Trata-se de um mercado em franca ascensão, mas não pode haver sensacionalização.

Sob todas as perspectivas, a inovação é o maior trunfo para que essa área prospere de forma regular e consistente, com novidades que realmente mudem o jogo. Não à toa o título do artigo anuncia campo aberto para inovar. O campo aberto se refere às possibilidades de atuar de forma colaborativa e pensando além das fronteiras. Compartilhar informações e conhecimentos para o fortalecimento da cadeia produtiva da indústria legal da cannabis é essencial. O conceito de inovação aberta deve estar plenamente difundido e será vital na consolidação do ecossistema. Esse desenvolvimento não acontecerá se houver formação de silos e muros entre os empreendedores do setor. No Brasil, abraçar a inovação aberta é ainda mais importante, pois estamos largando com um pouco de atraso nessa corrida global.

Mais do que nunca, a hora é de se adaptar, improvisar e se superar. Para isso precisamos de educação e preparo dos diversos players desse ecossistema. É importante aliar ciência, tecnologia e big data analytics para inovar e somente conseguiremos se todos entenderem do assunto, trocarem ideias e aprenderem uns com os outros.

Subindo para o ambiente empresarial, esse trabalho colaborativo envolve a aproximação de grandes indústrias com startups para ganhar agilidade e conhecimento. Se pensarmos no setor farmacêutico, por exemplo, sabemos que o desenvolvimento de produtos leva tempo e muitas startups estão com seus produtos prontos, pensados e prototipados. Por este motivo, investidores estão olhando com atenção para as startups de cannabis.

Na The Green Hub seguimos à risca essa premissa. Articulamos parceria com a Merck Life Science e organizamos uma chamada de startups com a o apoio da empresa. O resultado foi enriquecedor tanto para a Merck Life Science quanto para os novos empreendedores. Além disso, acreditamos que informação parada é como capital parado. Não dá. Por isso, mantemos a dinâmica de compartilhamento e conexão entre empreendedores, inovadores, setor corporativo, meio acadêmico, associações, governo e investidores. Mesmo projetos não incubados pela empresa poderão, de alguma maneira, ser beneficiados, seja com indicação de empresas, bem como troca de informações e conhecimento, ajudando esses empreendedores a fazer parte desse novo ecossistema.

Obviamente, trabalhamos para acelerar as mudanças necessárias na legislação brasileira e elas virão. Fomentamos o debate com informações relevantes e responsabilidade para criar um ambiente mais consciente. Porém, investimentos não faltam para boas ideias e chegamos à questão das fronteiras abertas para a inovação. Afinal, porque não pensar na oferta de seu produto ou serviço para o mercado global?

Com o leque de alternativas que a indústria legal da cannabis oferece, inovar neste momento é uma possibilidade real. Como diria o poeta, e no melhor sentido do trabalho colaborativo, sonho que se sonha junto é realidade. Vamos juntos!

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