Bolsa de Valores: a mais nova vítima das redes sociais

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As redes sociais são o segundo maior fenômeno digito-sociológico do século XX e já, so far, do século XXI também, depois do surgimento da Internet. São sensacionais. Mas são uma merda também.

Além de aglutinarem o maior volume de pessoas cotidianamente em todo o Planeta Terra, elas, de quebra, promoveram revoluções libertárias no Oriente Médio, foram causadoras dos maiores estragos recentes as eleições dos EUA e países da Europa, ajudaram fortemente na organização da invasão do Capitólio, promovida por Trump, são as maiores disseminadoras de fake news do mundo e, agora, protagonizaram a maior explosão exponencial do valor de ações da Bolsa de Valores no menor tempo jamais vista antes. Estamos falando, claro, da alta das ações da GameStop, que você já leu na mídia, de US$ 19 para US$ 350 em pouco mais de 20 dias, num ganho extraordinário de 1.700% no período. 

Foram elas que conseguiram fazer esse feito com uma empresa com um balanço patrimonial considerado medíocre para os padrões das grandes empresas nos EUA (registrou prejuízo líquido de US $ 275 milhões nos últimos 12 meses) e um modelo de negócios caretão tradicional de varejo físico. 

Promovendo em massa o que nas bolsas os especialistas chamam de short-selling (quando um investidor aposta que o preço de uma determinada ação vai cair, numa reversão da prática habitual do mercado de ações, em que a maioria dos investidores usualmente aposta que determinadas ações vão se valorizar), elas transformaram investidores amadores e minoritários em monstros de Wall Street. Todos que acompanharam esse movimento em rede, que teve como epicentro editorial o fórum coletivo aberto r/wallstreetbets, do site Reddit, e que se espalhou como rastilho de pólvora por várias redes sociais, ganharam uma grana com a alta no preço da ação, protagonizando, sem saber, o maior fenômeno de social funding em massa nas Bolsas de Valores jamais registrado até hoje.

A revista Fortune registrou assim: “O resultado foi uma situação histórica e sem precedentes nos mercados públicos: uma combinação de especulação galopante, crowdsourcing online e maquinações de mercado habilitadas digitalmente”.

Contribuiu para isso um tweetizinho do Elon Musk comentando o fenômeno em marcha e aí a coisa recebeu novo oxigênio dos fanáticos seguidores do bilionário Tony Stark da vida real.

Protagonizando esse novo fenômeno de seu poder avassalador, as redes sociais deixaram os habitualmente vetustos e adrenados operadores de bolsa, além de toda a comunidade de investidores de mercados abertos do globo, de cabelos em pé. E se perguntando até que ponto todo o sistema de bolsas de valores, com séculos de história e inventado antes do mundo digital existir, é, de fato, seguro.

É como se estivéssemos assistindo a invasão destrutiva de um enxame monstruoso e global de insetos, feito uma praga. Sendo que os insetos somos nós. 

 

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