A Inteligência Artificial invade a linguagem cognitiva humana e muda nossas vidas para sempre.

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Nos últimos dois anos foram gerados 90% dos dados hoje disponíveis no mundo. O cálculo é de Bernard Marr, internacionalmente renomado estudioso e analista de tecnologias disruptivas. Esse cálculo nos conduz a uma premissa cada vez mais aceita no âmbito da ciência contemporânea de que são os dados a base de praticamente todas as demais revoluções tecnológicas em curso hoje. A Era dos Dados promove a Era das Transformações Digitais.

O que pouco se discute, no entanto, é que de 80% a 90% dos dados gerados e coletados pelas empresas no mundo são dados não-estruturados e que o crescimento da produção deste tipo de dados segue a taxas muitas vezes maiores às dos dados estruturados.

E o que isso tem a ver conosco, com nossas vidas e com nossos negócios. Muito, posso garantir.

Para os que não são íntimos desses dois conceitos, comento que dados não estruturados são aqueles que são produzidos e coletados sem nenhum padrão racional claro. Por exemplo, todos os textos, vídeos e áudios que circulam pela Internet são dados não-estruturados. Eles compõem a esmagadora maioria dos dados produzidos digitalmente por nós, mas são dispersos e desconexos entre si.

Ocorre que são exatamente eles, como fica fácil de concluir, os mais relevantes para o mundo dos negócios, se entendermos que eles contém a base de relacionamento das pessoas com outras, ou com marcas, ou com qualquer tipo de ativação comercial.

Por exemplo, no marketing, dados não-estruturados, como textos de reviews ou o áudio de uma ligação de SAC, têm potenciais muito maiores do que todas as métricas estruturadas clássicas para pautar as decisões de mercado das companhias.

Na condição de estudioso e empresário do mundo dos dados e da inteligência Artificial conto a você que a boa notícia é que algoritmos cada vez mais evoluídos – e os algoritmos são a língua do idioma dos dados – estão conseguindo traduzir cada dia mais e melhor esse emaranhado de informações em insights úteis para empresas e negócios.

Exemplo disso é a evolução da NLP (Natural Language Processing), campo da inteligência artificial dedicado à leitura e compreensão da linguagem humana por meio de algoritmos de aprendizagem. A NLP está cada vez mais próxima de uma acurácia enorme, muitas vezes processando textos e raciocínios muito próximos dos humanos.

Mesmo em suas versões menos sofisticadas, esses algoritmos vinham já proporcionando grandes mudanças de paradigma na capacidade de análise de textos em áreas como as de  Lawtech e Health Research.

Graças a esses avanços, você já deve ter ouvido falar que a Inteligência Artificial vem conseguindo hoje diagnosticar doenças com uma precisão melhor do que a dos médicos, a partir da leitura de milhares de papers de medicina. Ou, no âmbito legal, como ela vem conseguindo antever jurisprudências com índices de acerto maiores do que os advogados, a partir da leitura de centenas de sentenças judiciais.

A novidade agora é, como disse, que, graças a todas essas evoluções, os algoritmos estão se mostrando cada vez mais úteis e assertivos para analisar dados não-estruturados de maior complexidade.

Para o marketing, um dos efeitos práticos disso será  a viabilização cada vez maior  da análise e tomada de decisões com base nessa enorme quantidade de informações que até hoje são  sub aproveitadas pelo setor.

Larry Page, um dos fundadores do Google, comentou certa vez que “a Inteligência Artificial vai ser a última versão do Google. A mais avançada das nossas maquinas de busca, já que entenderá tudo na Web. Ela vai entender exatamente o que desejamos e entregar exatamente o que queremos”.

O própria Larry admite que o Google está ainda a caminho dessa conquista, mas o fato é que, com o que já temos, a Inteligência Artificial  e suas mais recentes conquistas nos fazem acreditar que estamos numa jornada irreversível em direção a um mundo em que seremos capazes de decifrar e compreender praticamente todos os fenômenos sociais através de dados. E no qual tomaremos nossas decisões, seja como empresas ou como cidadãos, com base nas trocas e nos resultados reais de ricas vivências e experiências disponíveis na Internet e nos ambientes digitais.

Será um mundo novo, mas que já existe agora.

Caio Simi, M.Sc, Mba é CEO e Sócio Fundador da Orbit Data Science.

 

 

 

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