A transformação digital nas organizações sociais

Por Juliana Nobre | 25 agosto 2016

Não dizem que em meio a uma crise há muitas oportunidades?

Em tempos em que a captação de recursos tem sido um desafio maior do que o usual, muitas organizações sociais estão refletindo sobre sua forma de atuação. E não se trata de incluir em seu currículo um novo módulo de ensino a distância ou usar as TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) para se comunicarem com sua rede de parceiros. Trata-se de repensar seu modelo de atuação em suas causas, sem se esquecer, é claro, de sua missão e propósito.

A transformação digital nas organizações sociais leva tempo. Primeiro, há o despertar para a necessidade de buscar essa transformação e entender que, para ser real, ela precisa atingir o coração da ONG e não suas atividades periféricas. Por exemplo, o atendimento direto sempre foi algo muito valorizado por grande parte das ONGs. A pergunta é: como aumentar o potencial de sua atuação buscando manter relevância em um cenário cada vez mais digital, em que o modelo presencial, apesar de muito valioso, é mais caro e difícil de escalar?

Compartilho um exemplo. Semanalmente, fico sabendo de ao menos um novo projeto ou ideia de desenvolvimento de aplicativo de uma ONG em busca de entrar na onda digital.

Nesse caso, a ONG já despertou para a necessidade de buscar inovação pela via digital. Agora, o ponto é definir que tipo de valor se quer entregar ao usuário, pois nossos dispositivos móveis têm uma capacidade de armazenamento de dados limitada.

O que faz um app ser tão especial a ponto de um usuário não apagá-lo na próxima limpeza em busca de mais espaço? A resposta é engajamento! E disso as ONGs entendem, pois trabalham com paixões e motivações pessoais. O importante é definir que tipo de valor a organização consegue oferecer dentro de um aplicativo que promova engajamento, e, para isso, conhecer quem será o seu usuário é fundamental. Um exercício profundo de empatia com esse usuário aumenta muito a chance de ser bem-sucedido.

Passadas a fase do despertar e a fase de definição de valor, é necessário entender quanto e em que investir. E aí está um grande desafio para as organizações sociais: tecnologia não é o seu core e, por isso, uma tomada de decisão assertiva é muito importante. O fato é que uma transformação digital pede investimento, seja em recursos tecnológicos, tempo ou pessoas com as habilidades necessárias para tocar essa transformação na estratégia, no produto ou no serviço.

Recentemente, li sobre uma startup americana chamada Clever, que já está em 53 mil instituições com um programa que ajuda a qualificar compras educacionais de tecnologia organizando testes de 30 dias para qualificar tais decisões de compra. Seria genial se as organizações sociais pudessem ter a oportunidade de testar seus modelos e produtos antes de tomar uma decisão rumo à sua transformação digital de forma genuína e de longo prazo.

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