Tecnologia: presente ou futuro do marketing digital?

Por Tiago Bueno | 01 outubro 2015

Bom pessoal, eu sou um cara de marketing que trabalha há 8 anos em uma empresa de TI. Nesse desafio constante de fazer com que engenheiros e marqueteiros se entendam, tenho percebido que, por mais que esses dois tipos de profissionais tenham personalidades, estilos e maneiras de pensar diferentes, eles estão se tornando cada vez mais complementares.

Porque? Justamente pela ascensão do marketing digital. Por que até o seu nascimento o mundo do marketing não estava acostumado a utilizar métricas tão precisas, a ter tantos dados disponíveis para entender melhor o consumidor, a construir mensagens para um indivíduo (e não para um segmento de indivíduos), etc.

A tecnologia, portanto, está na base da criação do marketing digital, afinal sem computadores, internet, smart phones, redes sociais, etc. o marketing continuaria a ser analógico… mas você não precisa ler este site para descobrir isso, certo?

A reflexão que acho mais interessante é um pouco diferente: a tecnologia pode ter um papel decisivo na evolução do marketing digital?

Porque, apesar da onipresença da internet na nossa vida, da explosão das redes sociais e do surgimento de muitas agências e empresas especializadas no mercado digital, existem diversos dados que ainda reforçam que o digital tem muito a evoluir: o budget publicitário ainda é fortemente desequilibrado para o lado do offline, os salários ainda são baixos (conforme os resultados de um estudo da Conversion publicado no fim do ano passado) e os cursos de formação em marketing e comunicação ainda não tratam do tema com a profundidade necessária para preparar os alunos para o mercado de trabalho.

E se pensarmos na tecnologia não somente do ponto de vista do usuário, mas como um suporte ao trabalho do profissional de marketing digital? Como uma maneira de agregar valor ao serviço que as agências prestam e, consequentemente, fazer com que os clientes percebam de maneira mais clara o retorno sobre o investimento em digital?

Mad Men ou Math Men?

Hoje em dia a genialidade, capacidade de imaginação e improvisação de um diretor de criação não é mais suficiente como nos tempos do bom e velho Don Draper, personagem principal do seriado Mad Men. Um “math man” – que sente ao lado dele e consiga extrair informações relevantes a partir dos dados e que entenda tecnicamente como colocar a mensagem na plataforma mais adequada e confiável – é imprescindível.
Em outras palavras: em um mercado onde ideias criativas não são nada se a gente não conseguir gerar conteúdo personalizado e entregar esse conteúdo na hora certa e no canal certo, a tecnologia pode sim fazer a diferença.

Uma das grandes tendências tecnológicas que nasceu há poucos anos e que pode dar uma ajuda incrível na geração de conteúdo é a computação cognitiva. Em poucas palavras, esse método representa um sistema que “aprende”… ou, dito em linguagem de máquinas, consegue entender padrões.

Ou seja, analisando relatórios médicos, por exemplo, se o computador vê que para 99% dos casos de dor de cabeça os pacientes tomaram um paracetamol, ele entende que aquele é o remédio a ser dado quando alguém tem dor de cabeça e aplica essa resposta a casos futuros. Agora imaginem isso aplicado à capacidade de análise de um computador, podendo analisar milhões de casos das mais variadas doenças, com milhares de variáveis e possíveis soluções?

Então imaginem o quanto uma empresa da aérea da saúde (ou a sua agência) pode personalizar as suas campanhas contando com esse tipo de informação.

Tecnologia gerando mais valor para o marketing digital. Serviços como esse já existem e estão disponíveis em modalidade freemium, da mesma maneira que você compra música.

Outro exemplo, falando sempre de padrões: vocês concordam comigo que uma pessoa extrovertida se comunica de maneira diferente de uma pessoa introvertida, né? E uma pessoa mais formal usa palavras diferentes de uma pessoa informal? Estudando milhares de padrões de escrita de diversos tipos de personalidade, cientistas conseguiram estabelecer uma correlação confiável entre a maneira como escrevemos e a nossa personalidade.

E chamaram isso de analise psicolinguística ou, em outras palavras, “diga-me como escreves e te direi quem és”. Então imaginem fazer uma campanha de engajamento de blogueiros para uma determinada marca e poder desenvolver mensagens que comunicam exatamente do jeito que mais impacta a personalidade de cada um deles?

Desenvolvedores já podem incluir esse tipo de inteligência nos seus aplicativos.

Mas, por enquanto, só falamos de geração de conteúdo… e a entrega? De que adianta fazer analises sofisticadas, encontrar dados para personalizar ao máximo as nossas mensagens, se na hora que o usuário for usufruir disso, o site estiver fora do ar, o vídeo estiver demorando para carregar, o carrinho de compras não conseguir ser concluído? Imaginem mandar uma mensagem no whatsapp e ter que esperar minutos para ela ser entregue porque o sistema não está preparado para fazer a gestão de tantas mensagens ao mesmo tempo?

De novo, hoje já existem diversas tecnologias de hospedagem que dão a possibilidade de executar tarefas pesadas e recorrentes, que não aumentam absurdamente de preço quando o seu site tiver picos de acesso, que mantenha a agilidade e disponibilidade das páginas seja com um usuário ou com milhares de pessoas ao mesmo tempo.

A melhor das ideias morre se não for bem executada. Então, para manter um modelo de negócios sólido e crescente, o mercado de marketing digital precisa entender como usar a tecnologia a seu favor e gerar propostas diferenciadas.

Comentários

  1. renato zanon disse:

    Incrível! Parabéns.

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