Tasca GDPR na Amazon! E na concorrência toda!

Por Pyr Marcondes | 28 maio 2018

A invasibilidade dos aparelhos digitais em nossas vidas tornou-se piada de mal gosto, se não estiver se transformando em um fenômeno de segurança online global. Tipo na época da Guerra Fria, em que as escutas rolavam por todo lado nos ambientes de segurança máxima do Pentágono e do Kremlin. Que, descobriu-se, não tinham lá uma segurança tão máxima assim.

O último caso público de vida privada digitalmente vasada foi o da antes tão simpática Alexa, da Amazon. O aparelho gravou uma conversa entre Danielle, uma usuária de Portland, Oregon, e seu marido, até que um amigo do casal entrou em contato dizendo: “Desconectem já a Alexa, vocês estão sendo hackeados”.

Desconfiados de que poderia ser uma brincadeira, o casal suspeitou do alerta, até que o tal amigo mandou esta: “Danielle, você estava falando sobre trocar seus pisos de madeira”.

Wow! Era verdade!

Agora imaginemos a sensação do casal de Portland e não só nos coloquemos na situação de Danielle e do marido, como também imaginemos tudo o que pode estar acontecendo a nossa volta exatamente agora, com os nossos aparelhos conectados, digo, todos eles.

Pois é isso que estamos vivendo: um estágio que se espera passageiro, mas já extremamente preocupante, da invasão de privacidade digital, que envolve não só nossos dados pessoais online, mas também nossas conversas pessoais e a vigilância de câmeras enquanto estamos por aí, tipo, vivendo nossas pacatas vidas cotidianas.

Vai dar certo não.

Um representante do atendimento ao cliente da Amazon confirmou que o áudio de Danielle havia sido enviado para um número de celular de sua lista de amigos e pediu desculpas: “Essa é uma ocorrência extremamente rara”, justificou.

Jura? Você acredita, leitor (a)? Eu não.

A confusa explicação da companhia sobre o ocorrido é a que segue: “Echo acordou devido a uma palavra na conversa em segundo plano que soava como ‘Alexa’. Em seguida, a conversa subsequente foi ouvida como uma solicitação de “enviar mensagem”.

Reconhecendo a improbabilidade dessa série de contratempos, os porta-vozes da Amazon acrescentaram: “Por mais improvável que seja essa série de eventos, estamos avaliando opções para tornar esse caso ainda menos provável”.

Menos provável ???!!! Só isso?

Como revelou o The Guardian, embora a Amazon sustente que o corrido tenha sido apenas um defeito raro, e não a prova de que Alexa está sempre ouvindo tudo o tempo todo, a empresa tem registrados pedidos de patente para funcionalidades que envolvem, sim, ouvir permanentemente. Um algoritmo que analisa quando as pessoas dizem que “amam” algum produto depois de uma compra online. A patente inclui uma funcionalidade em que os usuários podem vir a receber anúncios segmentados, dirigidos aos seus temas de interesse/preferência de consumo. Descobertos assim, portanto, por um sistema que, sem nossa permissão, ouve nossas conversas.

Tá certo não.

O marketing digital tem, sim, muitas capacidades e habilidades de alta precisão, que o qualificam como uma das mais poderosas e precisas plataformas de comunicação dirigida criadas pelo Homem até hoje. Pois isso, se usado com compliances de segurança e privacidade, pode ser de fato revolucionário para marcas e produtos. E de utilidade prática para todos nós.

Mas do jeito que estamos acompanhando, tanto nossa indústria como, obviamente, os cidadãos e consumidores de todas as partes, têm que se revoltar contra essa palhaçada da invasibilidade irrestrita.

Tasca GDPR na Amazon! E em todas as companhias que acreditarem que podem brincar de Big Brother impunemente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

White Paper relacionado


Marketing

Personalização: além de um nome 2017

Artigos Relacionados