SXSW enfrenta o desafio da sua própria encruzilhada temática

Por Pyr Marcondes | 20 março 2017

O SXSW é considerado hoje como possivelmente o maior e mais completo evento sobre ciência, tecnologia, conhecimento e inovação do mundo. É um misto de festival de Música, como nasceu há mais de 30 anos, Cinema e seu mais novo braço, o de interatividade. Ou Interactive.

Leva a Austin, no Texas, dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo, que assistem, nos seus 15 dias de duração (Interactive ocupa uma semana na agenda), a mais de 2000 palestras nos mais variados locais espalhados pela cidade.

Cresceu em tamanho e na sua abrangência temática de forma extremamente rápida nos últimos anos. E isso é, por um lado, o que todos os que vão ao evento desejam de fato encontrar: diversidade e multidisciplinariedade. Isso ele vem entregando, sem jamais decepcionar quem vai a Austin todo ano.

Mas na mesma medida em que o SXSW busca ser plural, coloca a cada um de nós a seguinte questão: trata-se de um evento do quê? (O conceito do evento este ano foi “Order From Chaos”, indicando que os organizadores claramente estão cientes da complexidade com a qual lidam.)

Contribui para essa complexidade a decisão dos organizadores de, democraticamente, abrir a possibilidade dos visitantes, independentemente da especificidade do seu crachá (ou seja, se de Música, Cinema ou Interatividade) poder assistir indiscriminadamente a praticamente todas as palestras. Antes isso não era possível.

Assim, além de um temário complexo em cada uma das suas três vertentes, há agora temas que superpõe e acabam sendo válidos para as três indústrias. O que não é em si um problema, já que de fato há áreas de interseção entre as três.

O que é relevante para nós, afinal?

No entanto, para os profissionais da indústria de comunicação e marketing brasileiros que estiveram no evento este ano – a maior comitiva de todos os anos, com projeções que variam entre 800 e mais de mil participantes do Brasil – essa questão ficou colocada e deverá seguir relevante nos próximos anos, na medida em que os organizadores não deverão mudar seu cardápio multi-variado, nem sua orientação conceitual. Ao contrário, tudo indica que a tendência da variedade deve se acelerar.

Nesse contexto, importante entender que, para o nosso setor, há sem dúvida temas de alta relevância sendo tratados lá e que não deverá ser essa complexidade a responsável para que futuros visitantes desistam de ir ao SXSW.

Mas vale talvez colocar aqui alguns eixos temáticos essenciais que o evento deverá manter ativos e sobre os quais acaba se construindo a parte da programação que interessa mais de perto a todos nós, que em princípio é o Interative Festival e não os demais.

Tecnologia: poucas vertentes, muitas variáveis.

Não será no SXSW que encontraremos os últimos modelos de negócios que vão orientar nosso setor nos próximos anos. Nem temas muito específicos como formas de remuneração, por exemplo. NO SXSW raramente se discutem modelos e de negócio, na medida em que o vento é muito mais sobre as descobertas mais avançadas no mundo da tecnologia e inovação em todo o mundo.

A parte que nos cabe é a tecnologia aplicada ao marketing e a comunicação. Essa é a premissa básica. Se você vai ao SXSW, deve buscar quais as tecnologias que vão transformar nossa indústria. Dica básica.

As outras vem por conta de que tecnologias estamos falando.

Então, vamos lá, há fundamentalmente uma grande vertente que comanda todas as demais: Inteligência Artificial (incluídos aí subtemas como machine learning, computação cognitiva, automação de marketing e outras variantes).

Palestras como “The Future of Emotional Learning”, “Talk to Technology: Exploring Languagem and Tech”, “This is Your Brain. This is Your Brain on Ads”, “Using AI & Machine Learning to Extend Consumer Experience”, e tantas outras, foram claramente focadas na inteligência artificial e como ela pode ajudar no marketing, na identificação e entendimento do comportamento dos consumidores, de como falar com eles através das máquinas, esse tipo de coisa.

Decorrentes e complementares a essa primeira vertente, os visitantes do SXSW encontram palestras sobre robótica (que não é a mesma coisa que Inteligência Artificial, mas os robôs utilizam AI para se comunicarem conosco), ou, na mesma linha, drones (que nada mais são do que robôs) e os já mais conhecidos chatbots, que deverão substituir os tão disseminados aplicativos, tanto em nossas campanhas de comunicação, como no desenvolvimento de produtos e serviços de marketing.

Em paralelo a essa grande vertente, quem vai ao SXSW encontra as últimas conquistas tecnológicas mais “puras”, se assim podemos chamar. Ou seja, tecnologia na essência. E aqui estamos falando de todo o espectro de novos aparatos de VR/AR (ou seja, realidade virtual e realidade aumentada), wearable computing (aparelhos para serem usados no corpo e que se transformarão mais e mais em pontos de contato para marketing) e até carros conectados, que serão igualmente plataformas digitais ambulantes para os quais muitos serviços de atendimento e relacionamento com o consumidor poderão ser desenvolvidos.

Ainda nessa linha, há a Internet das Coisas, que este ano não foi uma das mais destacadas atrações, mas que deve seguir tendo sua relevância na medida em que a conectividade dos objetos vai se multiplicar e o SXSW não deixará de prestar atenção a isso de forma alguma.

Palestras que dão corpo aos conceitos

Para exemplificar e não ficar só na teoria, na palestra “Is VR/AR The New Storytelling … Or The Old 3D?”, o que se discutiu é como as tecnologias de VR/AR impactam na construção de narrativas de comunicação. Publicidade entre elas.

Na palestra “Rise of Good Machines” e em muitas outras o que se discutiu é como a Inteligência Artificial deve ser adaptada para entender sentimentos e emoções dos seres humanos, deixando de ter com eles um relacionamento mais frio de máquina-homem e mais um relacionamento que mimetize as relações humanas.

Palestras assim falam de como AI vai auxiliar na construção de relacionamento das marcas com seus consumidores. E como esse relacionamento vai se transformar em algo cada vez mais personalizado. Isso porque os algoritmos das máquinas têm atrás de si bancos de dados complexos (Big Data), com muitas informações sobre cada um de nós. Assim, a cada relacionamento a máquina vai aprendendo mais e mais quem somos nós (cada um de nós) e a partir daí, que tipo de tom de voz usar, que linguagem adotar, etc., variando sua abordagem por perfil de consumidor.

Apenas para complementar, importante destacar que uma série de temas de comportamento humano e vida em sociedade vem se somando aos mais tradicionais de ciência e tecnologia, como a questão da diversidade, da maconha, do ativismo digital e das questões ligadas a guerras em todo o mundo. Talvez mais de uma centena de palestras na semana do Interactive Festival eram sobre temas correlatos a esses.

Para concluir, o fato é que, consistente com seu papel de vanguarda em todas as áreas em que atua, o SXSW segue sendo a nossa maior referência sobre nosso próprio futuro e o futuro das nossas empresas e de nossos negócios. Se tivermos em mente que desse aparente caos podemos extrair importantes ensinamentos, ele segue sendo um evento imbatível.

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