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Seu time está “no mood”?

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Diz a lenda que quando o Spotify atingiu a marca de aproximadamente mil funcionários, eles rodaram uma daquelas pesquisas de satisfação do RH em relação à “curtir trabalhar lá”.

91% da galera disse que sim, mas o que surpreende de verdade foi a mensagem enviada pra empresa toda, logo depois da divulgação do resultado (traduzi fielmente, dá um ligo no julgamento que eles deram ao número):

“Oi galera, nossa pesquisa de satisfação de funcionários diz que 91% curtem trabalhar aqui, e 4% não. Obviamente não estamos satisfeitos com isso, e queremos consertar. Caso você seja um dos 4% descontentes, por favor entre em contato conosco. Estamos aqui por sua causa, nada mais.”

Spotify é um case conhecido de empresa que adotou as práticas do Agile Manifesto desde o comecinho, e isso fez tanta diferença pra eles que chegaram ao ponto de gravar um par de vídeos curtinhos, explicando o valor de se trabalhar assim, não somente visando divulgar as práticas em si, como também deixar claro para os clientes do serviço que tudo é feito de modo que a experiência dos usuários seja sempre a melhor possível, sejam eles usuários internos ou externos.

Só que pra isso, “mood counts”. E eles entenderam muito bem o quanto.

Lá os caras conseguiram criar uma cultura de trabalho em equipe tão forte, que de fato pessoas são mais importantes que tudo, gerando aquela atmosfera de respeito mútuo em que se ouve muito mais elogios aos colegas do que a si próprio, e apesar da quantidade absurda de talentos que eles foram capazes de atrair e reter, não sobrou absolutamente nenhum espaço pras mazelas do ego.

É claro que as pesquisas de satisfação dão uma boa visão geral de como as pessoas se sentem em relação às companhias em que trabalham. Mas tem uma prática adotada por times ágeis que pode dar bons insights pra correção de curso no momento certo, capacitando os líderes a colaborarem pra que o ambiente de trabalho seja o mais agradável, estimulante de criatividade, e colaborativo possível: essa prática se chama mood marbles (sinalizadores de humor, em tradução quase literal).

É uma parada tão simples quanto pedir diariamente, que o pessoal descreva usando carinhas (triste e vermelha, indiferente e amarela, alegre e verde) pra dizer como está a mood naquele dia. Pode ser desenho, post-it, tem até ferramentas web gratuitas que facilitam a medição. Caso o líder perceba que a coisa está mais pra indiferente / triste durante alguns dias seguidos, ele consegue atuar usando por exemplo uma outra prática ágil, a retrospectiva (onde basicamente os times avaliam o que foi legal, o que não foi legal, quais as perguntas em aberto e quais as novas idéias para experimentar), pra resetar a mood. Legal né?

Pra fechar, vou usar uma frase do agile coach Henrik Kniberg (ele ajudou a Spotify e a Lego a se tornarem empresas ágeis): “… estamos todos juntos nesse barco, e precisamos nos ajudar pra ter sucesso”.

Quer trabalhar de forma ágil? Menos foco na velocidade, menos foco em dizer que adota essa ou aquela prática, menos command and control, mais foco em fazer com que seu time perceba o valor de se tornar ágil, mais empowerment pra estimular a criatividade, e o resto vem naturalmente.

Sacou?

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Rodrigo Giaffredo, empresário, palestrante, escritor, executivo, professor, colunista. Sócio da Super-Humanos Consultoria, autor da obra “Reflexões Ácidas, um livro de autoajuda meio indigesto”, líder de Transformação Ágil na IBM América Latina, influenciador da adoção de design thinking, storytelling e métodos ágeis em grandes corporações. Dá aula no MBA executivo da Fundação Dom Cabral - Nova Lima, na pós-graduação em Negócios Digitais da ESPM-SP, e na escola de negócios HSM Management. Apaixonado por inteligência relacional, foi eleito LinkedIn Top Voice Brasil em 2018. Assina colunas no IT Forum 365, no LinkedIn Pulse e no Innovation Insider. Administrador de empresas pós-graduado em Finanças e Mercado Financeiro Brasileiro pela FGV-SP, se especializou em moral contemporânea na Yale University. Para ele, empatia e experimentação são qualidades-chave de organizações ágeis. Usa corte de cabelo moicano, é pai e marido apaixonado, e dono da Frida, uma dachshund velhinha que até hoje faz festa quando ele chega em casa, montado numa Harley Davidson bem barulhenta.

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