Quando sua geladeira e seu carro começarem a conversar

Por Henrique von Atzingen | 02 outubro 2015

Por: Henrique Von

Imagine que está voltando para casa depois de um longo dia de trabalho. Cansado se lembra que precisa comprar leite, fraldas, desodorante, lâmpadas e iogurte. No metrô, esperando o trem chegar, vê que na parede da estação estão pintadas várias prateleiras de supermercado com um código de barras ao lado. Para fazer essa compra virtual basta baixar um aplicativo do supermercado, tirar fotos dos itens que precisa e indicar o local de entrega. Tudo isso sem mudar seu caminho. Todo o trabalho de reunir os produtos e entregá-los fica por conta do supermercado.

Esse é apenas um dos vários exemplos tecnológicos que estão mudando a maneira como nós consumidores interagimos com as empresas. Estes sistemas intuitivos e acessíveis por meio dos smartphones e tablets – conhecidos como sistemas de engajamento – estão em uma curva ascendente e a expectativa é que estejam cada vez mais presente em nossas vidas. A tecnologia móvel dominou o dia a dia nas grandes cidades e as redes sociais competem por nossa atenção. A união desses dois ingredientes abre perspectivas de comunicação nunca idealizadas antes.

Geoffrey Moore, um dos mais renomados escritores sobre evolução da tecnologia, escreveu em 2011 um artigo que mostrava o surgimento dos novos sistemas de engajamento. Ele aponta como a dinâmica da tecnologia mudou nos últimos anos. No passado, ela surgia e evoluía dentro das empresas até chegar por último em nossas casas. A partir da era pós-PC, essa tendência mudou. Hoje nossos filhos, irmãos e pais, têm acesso a tecnologias que muitas companhias ainda não conseguiram implementar internamente. Elas possuem sistemas de TI que evoluíram para tornar os negócios mais eficazes, rápidos, com menor custo e maior controle, ferramentas conhecidas como sistemas de registros, mas ainda não exploram as soluções de engajamento. Há três anos, o artigo de Moore quis abrir os olhos dos CIOs e CEOs de que o futuro das empresas está justamente nos sistemas de engajamento.

As seguradoras fazem parte de um dos segmentos que podem incorporar esse modelo em seus negócios. Todo jovem, solteiro, entre 18 e 25 anos é classificado como grupo de risco de acidentes nas seguradoras, ou seja, paga mais caro e espera por alguns anos para criar um histórico e ganhar bônus de descontos. Porém, as soluções de engajamento conseguem mudar esse padrão. Imagine uma seguradora criar um aplicativo para o celular que fica ativo sempre que o condutor estiver no carro, ou até mesmo, instale um aplicativo no sistema operacional do automóvel. Essa ferramenta será responsável por enviar dados da velocidade e dos lugares e horários que o segurado transita. Com base nas informações de áreas e horários de risco é cobrado o valor do seguro. Este é apenas um dos inúmeros casos em que esse modelo de tecnologia pode ser usado.

Não são somente os celulares que entram nessa dança tecnológica. A tendência de IOT (Internet of the Things, ou Internet das Coisas) já invadiu nossas casas. Hoje é possível piscar a luz da sala de casa quando alguém coloca uma foto sua em rede-social. Está certo que essa ação é inútil, mas pense até onde a interação entre consumidores e empresas tem a possibilidade de chegar quando o IOT estiver totalmente difundido. O varejista que não se integrar com a geladeira dos seus clientes corre o risco de perder vendas e até mesmo os admiradores da sua marca!

Nessa era de mobilidade é essencial as companhias agirem rapidamente. Os consumidores querem e exigem relacionamentos e ofertas rápidos, móveis, sem burocracias e, claro, com personalização ao seu perfil. Para se manter com o nome forte, as empresas devem rever como esse novo mundo de engajamento pode alçá-las a um patamar de maior diferenciação, proporcionando tecnologias que encantem e facilitem a vida dos seus consumidores.

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