Home Notícias Quando é certo e quando é errado…

Quando é certo e quando é errado…

468
0

Quanto é certo e quanto é errado quando se fala de dados alheios?

Por Pyr Marcondes

A primeira resposta a essa questão, de resto hoje no centro das complexas preocupações de marqueteiros e marcas diante da invasibilidade da vida privada do consumidor, é de fato muito simples: o dado é do cidadão/consumidor, não de companhia ou governo nenhum. Ponto final nessa parte da discussão.

O que é bem mais complexo é o seguinte:

Os dados das pessoas estão circulando na web e foram ali colocados pelos (desavisados) internautas, sem qualquer disclaimer se proteção sobre seu uso; portanto, ao utilizá-los, conceitualmente (mas só conceitualmente), as companhias e governos estariam lançando mão de algo que se tornou “público”, portanto, de uso geral (é ume estupidez pensar assim, mas muita gente e muitas marcas pensam; governos então, nem se fala…);

Para muitos usuários e consumidores online o fato das companhias deterem dados detalhados sobre suas preferências pessoais e hábitos de consumo é legal, porque elas passam a receber informações, ofertas, conteúdos e tudo o mais de forma personalizada, e não vendendo calcinha pra marmanjo;

O uso de dados se tornou tão absurdamente disseminado que é hoje virtualmente impossível controlar o que é ou não deveria ser utilizado pelas companhias, em favor da precisão de seus investimentos em mídia ou construção de relacionamentos digitais;

As leis, ora as leis… elas podem até existir e conceitualmente defender o direito humano original e inalienável de que informações pessoais são privadas, mas elas simplesmente não funcionam; novas medidas, como as em fase de implantação na Europa, pelo novo código CGPR (General Data Protection Regulation), que promete punir severamente quem burlar suas regras, podem mudar esse cenário, mas estamos todos ainda apostando para ver.

Isso posto, em verdade, estaria então nas mãos das próprias companhias, seus códigos internos de ética e melhores práticas, a decisão de serem mais ou menos canalhas em relação aos dados que, na real, hoje tem já de todos nós, sejamos quem formos.

É sobre esse tema a matéria do AdWeek aí abaixo. Muito boa porque mostra que empresas e setores já se deram conta de que é essa a questão e estão, cada qual do seu jeito, tentando fazer o trade off entre comodidade/invasibilidade resolver-se da melhor forma para, prioritariamente, o consumidor e, depois, para o bottom line dos negócios.

Leia que vale a pena.

http://www.adweek.com/brand-marketing/how-brands-are-justifying-an-increased-need-for-consumer-data/

Previous articleO corte de budgets do grandes anunciantes em mídia online vão continuar?
Next articleVocê sempre quis saber como usar Design Thinking. Veja aqui.
Pyr Marcondes é jornalista, consultor e autor. Foi repórter da revista IstoÉ, Jornal da Tarde e Playboy. Foi diretor editorial para o Grupo Meio & Mensagem desde a década de 90. Foi Sócio e Diretor de Criação na agência de publicidade Grottera & Cia. (TBWA) durante 10 anos. Foi Country Manager do portal StarMedia no Brasil. Co-fundador e CEO da Digital Strategy, consultoria pioneira em marketing e comunicação digital no País. Co-Fundador e Diretor de Marketing da FUN Generation, empresa de mobile marketing. Co-Fundador e Diretor da Superbrands Brasil (2005/2009). Consultor adjunto da BrandFinance, consultoria de marcas inglesa (2004/2005). Foi Diretor-Geral da Plataforma Proxxima, de marketing e comunicação digital do Grupo M&M. É hoje Diretor Geral da M&M Consulting, empresa de consultoria e negócios para a indústria do marketing digital. Pyr Marcondes é autor de inúmeros livros sobre história da propaganda e sobre marcas. É hoje referência na indústria digital brasileira. É palestrante, membro de conselhos e consultor.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here