Profissões do futuro: procura-se designer que vá muito além do design

Por Rodrigo Giaffredo | 17 maio 2017

Você deve estar pensando: “Vixi, lá vem o Giaffredo com as sentenças filosóficas… Como assim designer além do design?”.

Pois é, parece maluquice, mas me dá uns 5 minutos pra eu tentar te explicar o insight de hoje. Acabei de chegar de uma mesa-redonda sensacional numa universidade daqui de São Paulo, e o cabeção tá que tá fervilhando.

O tema central do evento era “Como o design influencia o processo de inovação das grandes organizações”. Daí, conversa vai, conversa vem, e um dos alunos participantes perguntou assim: “Gente, quando eu vou no LinkedIn e procuro vagas como designer ou inovador, por que eu não acho nada, ou acho quase nada? Não tem mais espaço pra designer em áreas de inovação, é isso?”

Perguntinha osso essa daí, né? Mas a vantagem de estar com gente diferente da gente é justamente essa: rola sempre aquele convite a respirar e pensar uns 10 segundos antes de falar. E, nesse meio tempo, ocorreu a um dos participantes um lance que achei sensacional. Ele citou uma das características principais dos designers, que é a forma de pensamento que eles têm e como isso faz deles mediadores incríveis de discussões multidisciplinares em torno de objetivos em comum.

Daí deu aquele clique cabuloso, chega arrepiou.

Eu senti mesmo que o chuncho novo e riquíssimo, que tá aí diante da gente pra ser rica e amplamente explorado por quem quiser embarcar, é o de “designer de conversas”.

Isso, designer de conversas. E quem faz parte desse meio corporativo mais tradicional sabe o quão chave é a habilidade de conectar as pessoas em torno de propósitos. É chave, mas é muito, muito, muito, muito difícil de fazer também. Já tentou tirar as pessoas dos silos, dos “seus mundos” particulares ou verticais, e fazer com que enxerguem os impactos do que elas fazem, num contexto mais amplo? O contexto das jornadas? É osso, mano, de verdade…

Só que eu tô pra ver alguém melhor pra fazer esse tipo de arranjo do que aquela pessoa que pensa como um designer, porque o pensamento do design se apoia em três pilares básicos, que são a empatia, a colaboração e a experimentação. E tudo em torno de entregar algo com valor percebido pra alguém que não necessariamente o próprio designer. Isso é extremamente, amplamente e “sensacionalmente” aplicável em vários contextos no dia a dia das empresas, fala a verdade.

Quanto problema interno e externo não poderia ser resolvido caso as pessoas simplesmente parassem pra conversar de forma isenta, com foco no todo – sem apegos, sabe?

Imagine um designer, ou alguém que pense como um, mediando discussões desse tipo. É rolê de outro nível. Porque, olha só, o designer não necessariamente tem todas as ideias, e nem deve ter mesmo, porque, quanto mais cocriativa a discussão, melhor. Mas, apesar disso, o designer tem, sim, e de sobra, muitas habilidades e artefatos pra fazer com que as próprias pessoas, participantes de uma jornada que permite alterações ou inserções de novas ideias, tragam inovação e criatividade à tona em prol de um bem comum.

Tem bastante espaço para os designers, de fato, aqueles com a “caneta na mão”, e tem muita virtude nesse viés da profissão, sem dúvida nenhuma. Isso não mudou.

O que mudou, na minha visão, é que aqueles designers que, além da consciência e da segurança técnica, extrapolarem um pouquinho e partirem para um lado mais de estratégia organizacional, difusão da cultura e do pensamento do design, e da aplicação desse conhecimento para a criação de ambientes mais colaborativos, experimentais e abertos, vão poder trabalhar em simplesmente qualquer área, de qualquer organização.

Porque inovação é uma parada inevitável. Caso não tenha chegado perto de você, saiba que é só questão de tempo. E, quanto mais centrada no ser humano for a parada, melhores os resultados pras empresas, pros indivíduos e, consequentemente, pro mundo de que ambos fazem parte.

E aí? Quem quer ser esse “designer além do design”? Já consegue ouvir os gritos generalizados de “procuram-se desesperadamente designers de conversas”?

Ih, ó lá, eu consigo!

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