Porque startups podem anabolizar sua inovação

Por Pyr Marcondes | 22 outubro 2015

Indústria da inovação não é um conceito usual. Inovação costuma associar-se a rompantes de disrupção fora da caixa, soluços de genialidade, um conta-gotas esporádico que pinga novidades aqui e acolá, ao léo.

Mas indústria da inovação pressupõe uma rede interligada que une academia, empresas, empreendedores, investidores, startups e Governo, num círculo virtuoso com sequência ininterrupta e perene, onde o novo deixa de ser raro para virar corriqueiro. Vide Califórnia.

No Brasil, ano após ano nestes últimos dez, aos poucos mas com teimosia inequívoca, temos testemunhado também aqui a construção dessa mesma nova indústria tijolo a tijolo, com cada uma das peças compondo o quebra-cabeças da tão almejada prosperidade do fomento.

Em que pese ser um quadro ainda desigual, enfim, é um quadro.

Temos o Governo em todas as suas instâncias. Longe de modelo exemplar, joga o jogo para cumprir tabela. Mas joga. A academia faz como pode, notadamente em alguns polos no Sul, Sudeste e Nordeste do País. Não tira notas máximas nas provas, mas passa de ano raspando. Os investidores se diversificam em tamanho, modelos de negócio e expertise. A chegada de fundos de venture capital e private equity contamina a cadeia com o mais que saudável vírus da internacionalidade. Anjos do Brasil, ABStartup e todas as aceleradoras fomentam a base da pirâmide. Endeavor é um exemplo de excelência world class. Iniciativas como StartSe ajudam a criar um futuro marketplace online e em tempo real, em que os investimentos se farão em bolsas de valores virtuais.

E há o recém-inaugurado corporate venture. São as empresas indo em busca da inovação através da colaboração das startups. E isso está acontecendo porque inovação não é mais o tal conta-gotas e não pode mais estar tão somente guardada a sete chaves dentro dos muros das empresas e seus departamentos de R&D. Não mais.

Apenas a inovação aberta, fomentada pela cadeia que descrevi acima, é hoje capaz de dar conta do recado de gerar ideias novas e projetos disruptivos na qualidade e na velocidade que o mundo atual exige. Isso é a Indústria da Inovação. Uma indústria sem sede, nem comando central, com filiais em cada garagem do País.

Curioso observar que mesmo com o País em crise recessiva, as iniciativas nessa área não param.

E também aqui há uma razão para que seja assim: fomentar startups é muito barato, em princípio, e pode render dividendos milionários tanto com a eventual otimização da cadeia produtiva, como na outra ponta, em novos produtos, novas soluções de negócios e, no final de tudo, em vendas.

Desculpe aqui a franqueza, mas não investir em startups é meio burro. Não faz sentido. Por mais que a empresa justifique-se alegando outras prioridades de momento, pouca coisa poderia de fato justificar a decisão estratégica e operacional de ter à mão recursos tão valiosos e poderosos para a solução de problemas a custos extremamente baixos e não lançar mão deles sob qualquer hipótese. Ainda mais em tempos bicudos como os que vivemos hoje no País.

Difícil discordar dessa lógica.

Por Pyr Marcondes

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