Pense como uma Start-up!

Por Ricardo Kubo | 06 abril 2016

Recentemente, uma amiga disse que a filha pequena achou super inovadora a impressão instantânea de uma máquina de escrever, sim aquela de museus…

Nos últimos anos, venho acompanhando uma grande preocupação das empresas em se reinventar, desafiar seus próprios modelos de negócios, citam que devem pensar como uma start-up e serem mais ágeis. Não são raras as referências de Google e Amazon, que de fato mantiveram culturas mais ágeis, mesmo com as dificuldades do tamanho que chegaram.

A final, o que é pensar como Start-up?

Recordando a época que trabalhei numa start-up, na unidade de negócio digital de um grupo de mídia. Fui responsável pela área de tecnologia, fizemos várias parcerias com grandes empresas digitais como IG, Buscapé e Mercado Livre. Criamos vários produtos e menos de 30% bem sucedidos. É isso mesmo…

Um produto de sucesso, foi criado num momento de retração do mercado de propaganda no último trimestre de 2003 . Rapidamente, nossa liderança estratégica bolou um modelo de leilão de produtos eletrônicos permutando anúncios com um grande varejista, que não era anunciante. Não tínhamos semanas para implementar o modelo, foi questão de dias para aliar a uma plataforma de leilão, adaptar o nosso look and feel e sistemas de backoffice. O leilão trouxe uma receita não esperada, gerando valor entre as empresas, que sozinhas não teriam e foi repetido por mais algumas edições.

O que tirei de aprendizado em trabalhar numa start-up é que não existe produto certo ou errado para criar. Onde o erro faz parte do aprendizado e principalmente não havia receita de bolo para copiar. Time to Value era importantíssimo, até para saber o quanto antes que a idéia não estava dando certo, que necessitava de ajustes ou até mesmo descontinuar.

Nesta época, interagi com muitas outras start-ups algumas foram bem sucedidas e muitas outras não. Algumas que se deram bem, tiveram dificuldades de manter a cultura original ao longo do crescimento da empresa. O crescimento rápido dificultava a manutenção do nível de serviços em alguns casos, pois não era apenas escala de sistema e sim de processos e pessoas.

Mas também havia uma sensação curiosa, apesar de todos produtos que criávamos sempre focarmos no sucesso, o erro não nos frustrava. A perseguição do acerto acabava sendo um motivador, algo ligado ao pioneirismo era desafiador. Sem contar que ter liberdade de errar não geravam pressões e amarras na criatividade. Por outro lado, não posso esquecer, que vivi situações onde a informalidade ou simplificação de processos geraram riscos a operação digital.

Como fazíamos parte de uma holding, o negócio de mídia jornal impresso representava a grande maioria do faturamento do grupo e seus processos de backoffice tinha uma outra velocidade. Cheguei a ser promovido para ser responsável também pela área de TI do negócio tradicional. Equilibrar a velocidade do digital (sistema de enajamento) e do tradicional (sistema transacional) foi um excelente desafio. Minha preocupação com os erros ou falhas na TI do negócio tradicional sugava meu dia-a-dia. Era outra forma de agir e atuar, tinha que ter velocidade para resolver problemas, mas nem sempre a mesma agilidade para criar algo novo… Este é o paradigma vivido na TI de duas velocidades.

Arrisco a compartilhar o seguinte pensamento:

” Numa start-up deve-se falhar rápido …

               …. nos negócios com sistemas transacionais  falhar é um problema. “

Esta polaridade de pensamentos geram expectativas bem distantes entre usuários de negócio e desenvolvedores de sistemas. Em algumas corporações, segregam-se profissionais de TI para cada um destes “mundos”. Catalizando assim o surgimento do papel dos CDOs (Chief Digital Officers), que passa a coordenar uma nova TI e muito mais ágil. Mantendo ao CIO o papel de manter o nível de serviços dos sistemas transacionais.

Pense como start-up para criar e engajar, tenha a atitude de se motivar com a busca do novo e não se frustre com as falhas. Mantenha olhos atentos no balanceamento do que pode ser independente dos sistemas transacionais e o time to value como diferenciador no mercado. Crie produtos rapidamente e tenha formas claras de metrificar seu sucesso. Seja ágil a tomar decisões, mesmo que para interromper uma nova iniciativa.

A…não se esqueça de manter um pouco da inocência, assim como a menina da máquina de escrever. Muito do que realizei na época de start-up, tenho certeza que com mais experiência eu provavelmente faria diferente e poderia levar mais tempo…

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