Para Modernizar as Organizações, Precisamos Muito Mais do que Paredes Coloridas e Comida Grátis!

Por Ligia Zotini Mazurkiewicz | 15 abril 2016

“Quando organizações nascidas no século XXI começaram suas operações, causaram um enorme choque cultural ao apresentaram seus escritórios para o mundo. Lugares com design super modernos, jogos de entretenimento e comidas das mais variadas, totalmente de graça, esses lugares não pareciam com nada do que conhecíamos como ambientes de trabalho e tirando em eventos ou festas também nunca havíamos visto nenhum escritório proporcionar paredes tão coloridas ou comida tão à vontade.”

Claro que se tornaram o lugar dos sonhos para se trabalhar de muita gente, e com o passar dos anos as operações dessas organizações se instalaram no país, e foram populadas por pessoas que eventualmente conhecemos. Sim eventualmente, porque uma das características delas é possuir uma força trabalho tão enxuta, que ficariam chocados ao saber que muitas alcançaram seus primeiros bilhões, empregando não mais do que poucas dezenas de profissionais, e esses me colegas contaram algumas de suas visões e verdades sobre isso tudo:

– Áreas de Diversão: mesas de jogos, videogames, escorregadores, salas de descompressão com puffs e bolas, tudo isso parece incrível sim, no começo impressiona e dá um orgulho enorme de pertencer, mas no dia a dia, utilizam essas coisas com a mesma frequência que usaríamos se tivessem em nossas casas, ou seja quase nunca (claro que se você for viciado em alguns dos jogos, não conta), a vida real ainda acontece nas mesas, salas de reuniões ou nos clientes.

– Comida Grátis: É difícil imaginar um lado negativo de “free food”, mas acreditem existe! Escutei coisas como, impossível fazer dieta e manter o peso nesse lugar (meio óbvio né?), mas o que mais me chamou a atenção foi a reclamação de que por terem comida sendo fornecida gratuitamente, sair para comer fora, não é “possível” com tanta frequência, alguns adoram quando os clientes visitam o prédio para poder variar o cardápio e o ambiente.

– Ausência de Mobilidade: Essas organizações por serem criadas com operações super enxutas e ágeis, elas entendem que o modelo ideal é ter todos os funcionários sempre fisicamente próximos, banindo assim o home office de suas práticas.

– Financiar Custos Básicos: Muitas dessas organizações, pagam como benefícios extras, manicure, lavagem de roupas, yôga e até congelamento de óvulos (custo nem tão básico assim), em um primeiro momento todos os funcionários adoram isso, em um segundo momento começam a se perguntar, o quanto de tempo estão realmente dedicando para suas vidas fora daquela vida, e isso gera boa parte dos problemas existenciais que vi alguns colegas me contarem.

Com alguns dos encantamentos originais desmistificados, comecei a verificar o que de fato faz uma organização ser percebida como moderna e as conclusão passam muito mais por contrastes entre valores novos x ultrapassados, do que por ambientes coloridos x monocromáticos:

– Confiança x Controle: as organizações mais modernas já entenderam (de verdade) que as pessoas fazem a diferença, e que os melhores profissionais não aceitam mais o controle hierárquico onde a confiança só pode ser gerada se os processos e números justificarem isso, a confiança para essa nova força de trabalho passa sim por entregar números e processos, mas também passa por afinidades, por se identificarem com o outro, e principalmente por se sentirem inspirados pelo grupo ao redor, e se isso tudo acontece, muito pouco de controle se mostra necessário, criando assim espaço para algo muito mais construtivo florescer: a colaboração!

– Manager x Maker: A figura do gerente responsável somente por controle, consolidações e por fazer fluir a comunicação dos mais altos escalões, perde a razão de existir, algum nível de consolidação continua se fazendo necessário, mas será feito naturalmente pelo líder do projeto e não por uma figura “empossada de autoridade”, isso que dizer que ser “maker”(construtor, realizador) é requisito básico para liderar grupos de trabalho nessas organizações modernas.

– Força De Trabalho x Força de Apaixonados Pelo Que Fazem: A velha máxima de que eu não preciso gostar do chefe, dos colegas ou do trabalho, preciso é fazer o que está na descrição do meu cargo, para ganhar o salário a cada mês, já não é mais realidade para profissionais do século XXI, o que se encontra em organizações modernas é uma maioria de apaixonados pelo que fazem, logo o termo força de trabalho não mais traduz com fidelidade essas pessoas.

– Proximidade Física x Proximidade de Prioridades: ou seja o local de trabalho x local onde seu trabalho e sua atenção estão! As organizações mais modernas, não contratam profissionais do pescoço para baixo somente, elas sabem que o local de trabalho não é mais sobre localizações geográficas, mais sim sobre o conjunto das capacidades necessárias, prazo de entrega, ferramentas e ambientes ideais (muitas vezes digitais) para que a tarefas sejam executadas com excelência, e com base nessa realidade, pouco importar saber onde alguém está fisicamente, mas sim em quem momento esse alguém está de entregar o trabalho.

– A Experiência do Cliente x O Cliente Tem Sempre Razão: o cliente experienciar um processo de perfeita jornada ao comprar um produto ou serviço é uma quase uma obsessão em organizações verdadeiramente modernas, elas já entenderam que o poder de uma marca tem a ver com sua capacidade de encantar seus cliente nas mais diversas formas, do que entregar um produto/serviço mais ou menos e fingir que o cliente tem sempre razão.

– Inovação Produzida x Inovação Adquirida: todas as organizações que já entenderam a dinâmica do consumidor moderno, entenderam também que inovação genuína não é algo que se terceiriza ou se adquiri comprando empresas no mercado, isso pode resolver a curto prazo ou se quiser entrar rapidamente em mercados de nicho, mais não é capaz de sustentar o sucesso em um mundo onde as pessoas (profissionais e clientes), buscam confiança nas relações, capacidade real de criação, e priorizam as experiências de encantamento.

Poderia escrever outros tópicos, mas acho que esses já serão um bom ponto de partida para avaliarem se as organizações a que pertencem estão de verdade comprometidas com se modernizar, ou se estão somente pintando paredes !

Comentários

  1. Claudio Manoel Gonçalves disse:

    Eu achei perfeito o artigo, e gostaria que as empresas também olhassem com um pouco mais de carinho os profissionais que estão na faixa dos 40 para cima e/ou em transição de carreira. Me causa estranheza que tanta gente competente nessa situação não seja passível de ser contratada, nada contra os jovens.
    Mas se a experiência é adquirida em função do tempo, de atividades que desenvolvemos, de problemas que resolvemos, de conquistas que alcançamos, acredito que está ocorrendo um certo desperdício de talento, ainda mais em um país em que a produtividade é tão questionada.

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