O varejo precisa aprender a ser empreendedor (NRF 2017)

Por Ricardo Kubo | 07 fevereiro 2017

Oi, amigos do varejo. O segundo dia da NRF 2017 foi bem interessante. Se eu tiver que fazer uma síntese do que pude acompanhar da feira, para mim, a mensagem é que o varejo precisa aprender a ser empreendedor e ágil em testar novas ideias, sejam de processos como o logístico, sejam para a interação direta com o seu consumidor. Essa interação está cada vez mais trazendo novos recursos, como reconhecimento de imagem, realidade aumentada e capacidade cognitiva, para aprender sendo mais assertivo em interações futuras.

Tivemos a presença do Richard Branson, criador da marca Virgin, que foi superinspiradora. A mensagem principal que ele passou foi que os varejistas precisam parar de pensar seus negócios como varejo e ser mais empreendedores. Achei isso fabuloso como provocação ao status quo da indústria, principalmente para alguém que já errou muito e acertou muito também, com mais de 300 negócios criados. Essa visão acabou casando muito bem com o ponto de vista do Mike McNamara, vice-presidente e CIO da Target, que acredita em transformação através de modelos ágeis para testar novas ideias.

Foto: Richard Branson na NRF.

Esses monstros acabam nos fazendo refletir sobre o quanto temos que provocar mais o nosso negócio e ter velocidade para concretizar mudanças, muita experimentação e aprendizado para errar com baixo custo e escalar rápido os acertos. Concordo com o Richard Branson quando ele afirma que os executivos não podem ter medo de errar. Essa é a peça-chave cultural que precisamos vencer em nossos negócios.

Foto: Mike McNamara na NRF.

Passando nos estandes e explorando a área de inovação da feira, algo que chamou muito a minha atenção foi a quantidade de soluções com realidade aumentada, reconhecimento visual e inteligência artificial. Alguns desses temas aparentam ser muito distantes da realidade, apesar de que alguns varejistas já estão se aventurando e aprendendo nesse mundo. Novamente, é a cultura de teste e aprendizado trazendo inovação ao negócio.

Uma das primeiras atrações do evento é a Pepper, robô humanoide da softbank com capacidade cognitiva do Watson. Ela estava preparada para interagir por voz e, ao receber ingredientes de escolha das pessoas que passavam por lá, retornava com sugestões de receitas que combinavam com os ingredientes. O desafio de linguagem natural e a capacidade de relacionar produtos com a afinidade do paladar humano eram os grandes desafios da Pepper. Explorando outras áreas de inovação, encontrei uma impressora 3D de roupas, que lembrava muito a Nathalia Allen, a startup premiada na NRF 2016 com a impressão de vestidos em 3D. Um estande de gameficação com realidade aumentada que pode trazer bastante engajamento com o consumidor.

Foto: pepper.

Outro caso interessante foi o da Focal Systems, cujo estande tinha um dispositivo para captar imagens de gôndolas, conforme o shopper anda no supermercado, e já poder informar rupturas, captar mais informação do fluxo de navegação em loja e cruzar com o efetivo ticket de conversão, explorando muito reconhecimento visual das fotos de gôndolas.

Foto: Focal Systems reconhecimento visual de gôndolas.

Se estiver perguntando como a computação cognitiva poderia estar mudando sua vida, tínhamos por lá um carro da GM para que ele pudesse interagir com um painel inteligente, explorando desde a compra de produtos para o motorista até informações sobre o tempo vindas da The Weather Company.

Foto: GM cognitive mobility.

Voltando para as apresentações, o estudo mais recente do Customer Experience Index (IBM) trazia algumas megatendências. Vale a pena ficar com o radar ligado. As principais são: o mundo é a sua frente de loja. O mercado está saturado e, principalmente, a velocidade de mudança está acelerada. Isso está muito conectado com a necessidade de ser empreendedor do Richard Branson e a agilidade citada pelo Mike McNamara.

Foto: Customer Experience Index.

Ao ver a apresentação da Under Armour (UA), fiquei impressionado com a quantidade de usuários de seus apps, mais de 195 milhões, sendo quase metade fora do mercado americano, e com a quantidade de dados que eles geram com seus dispositivos, desde o smartphone até tênis com sensores para captar atividades físicas e treinos. Além disso, captam informações de comportamento alimentar dos seus usuários. Isso é um exemplo legal de internet das coisas que pode impactar a vida das pessoas. O propósito da UA é efetivamente tornar melhor a vida do atleta.

Tive também a oportunidade de ver uma apresentação da Sainsbury’s e da Argos, que falavam do desafio da última milha. A Argos usa lojas grandes como hub para até 6 lojas pequenas. Alterações na última milha fazem diferença para dar suporte à entrega no mesmo dia do pedido, uma resposta à Amazon. Esse é um ponto em que a Target também passou como diferencial do varejo de lojas físicas para se defender da Amazon. No caso da Target, as lojas têm um potencial de entrega como última milha que atinge a grande maioria dos consumidores com um raio pequeno de deslocamento.

Foto: Sainsbury’s e Argos.

Estar aqui na NRF é um privilégio, muitas informações a digerir. Temos desafios em várias frentes de negócio, desde a experiência de compra do cliente até a logística de entrega cada vez mais assertiva e em menor tempo. A barra de diferenciação está saindo do básico bem-feito para efetivamente chegar à excelência nessas disciplinas. Fica aqui uma reflexão sobre qual é a prioridade de seu negócio, quais capacidades precisam ser aceleradas e como chegar lá. Neste mundo, muito de tecnologia estará dando suporte aos negócios. Ela efetivamente está trazendo esse diferencial e precisa ser muito bem aplicada em cada cenário.

Termino hoje, por aqui, o compartilhamento da minha experiência na NRF.

Grande abraço.

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