O varejo deve esperar mais de 2017

Por Ricardo Kubo | 03 Janeiro 2017

Amigos varejistas, eis uma reflexão de início de ano. Resgatei um artigo sobre o novo consumidor que escrevi em 2013 e lembrei que já vivi a experiência da Amazon Go e nem percebi. No artigo, comparo a experiência de compra no interior de São Paulo com a da capital, onde entro com meu primo na loja, pegamos as compras e saímos! Sem fila, sem caixa, sem burocracia… O.k., tudo bem, o dono da mercearia conhecia meu primo, perguntou do filho dele e anotou na caderneta. Novamente, o básico bem-feito!

O ano de 2016 foi duro para o varejo brasileiro: os índices econômicos falam por si. Foi um ano de acentuada busca de eficiência operacional e redução de custos. Eventuais reduções de qualidade acompanharam. O consumidor migrou para uma marca mais barata, evitou o supérfluo, migrou de formato de loja para um atacarejo. O “novo” consumidor novamente mudou. Não foi apenas a mercearia que sentiu essa mudança. Em food services em bares e restaurantes, houve uma queda devido ao aumento de consumo doméstico. A compra de “mês” voltou!

E agora? O que esperar de 2017?

Eficiência operacional ou experiência de compra?

Ambos? Alguma outra coisa?

Acredito muito em nivelar para depois avançar, fazer bem-feito o que deveria ser feito. Impactar a eficiência a curto prazo é vida ou morte para a maioria dos varejistas. Os executivos nem sabem se estarão em suas cadeiras no próximo ano. Por outro lado, temos que planejar o “avançar”. Muitos varejistas começaram a entrar na onda de testar e aprender, do falhar rápido, do errar a baixo custo, muito acelerados pelos exemplos mundiais de labs de varejo (Amazon, Tesco, Walmart, Game Stop, dentre outros). Montar um lab é um investimento mais pesado. Dá para começar mais simples adotando uma cultura mais ágil com capacidade de testar mais conceitos e eleger os que devem receber investimentos.

Novamente, errar barato não é nenhuma novidade. Há mais de 15 anos, era essencial, pois não tínhamos dinheiro para ficar errando por muito tempo. Ainda vejo essa cultura de insistência na má ideia como algo muito nocivo às empresas. Uma nova ideia não pode ser tratada como um animal de estimação. Caso contrário, o apego traz um ponto cego às decisões futuras. Priorizar não é escolher o mais importante, mas, sim, o que vai deixar de ser feito…

Se eficiência ainda vai ser uma bandeira comum e forte em 2017, os testes de novos conceitos serão cada vez mais valorizados como uma espécie de resgate da cultura da experiência de compras diferenciada, muito mais pelo encontrar um novo caminho e também reflexo de branding. Alguns vão investir agora e capitalizar no momento de retomada econômica. Sim, ainda temos a incerteza de quando…

Eu tenho uma expectativa de que 2017 seja mais rico em diversidade de modelos e ideias para o consumidor, de forma mais tímida no início e mais repercutida gradativamente. Mas que vamos ainda ter uma agenda forte de redução de custos, isso ninguém precisa dizer…

Enquanto isso, o seu Zé está observando o cliente, anotando o que ele pegou e cobrando somente ao final do mês, sem câmeras, sem ERP, sem CRM, sem cartão de crédito. É sério!!

Tenham uma boa passagem de ano e que 2017 seja um ano muito melhor!

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