O PowerPoint das Bolas e a Transformação Digital

Por Henrique von Atzingen | 30 setembro 2016

Recentemente o grande MEME da internet foi o gráfico de bolas feito em PowerPoint pelo procurador Deltan Dallagnol para embasar sua denúncia em mais um desdobrar da operação lava-jato. Obviamente não vou fazer deste artigo uma discussão política, pois este não é o veículo correto e nem eu sou a pessoa mais brilhante nesse tema. Todavia, com meu olhar de negócios, vi que aquele gráfico, apesar de rechaçado por todos, tinha um certo potencial. Para valorizá-lo um pouco vou chamá-lo de “il Grafico Dallagnol”, pois nós brasileiros adoramos termos em outros idiomas.

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Muito eu já escrevi sobre como as nossas vidas mudaram com a entrada dos smartphones em nosso dia a dia. O grande motivo disso tudo foi uma mudança de mindset. Antes do iPhone, a tecnologia era feita por técnicos sedentos por colocar em seus produtos todos os avanços possíveis e imagináveis, sem levar em consideração como o usuário iria lidar com ele. Afinal de contas, os manuais de instruções servem para isso. Ensinar aos usuários como usar a brilhante e magnífica tecnologia do produto. Usando “il Grafico Dallagnol”, a tecnologia seria algo assim:

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A tecnologia era a deusa única onde tudo girava em torno dela. O usuário era apenas uma peça do conjunto. Para ele entregamos o trabalho de entender as opções do menu, gerenciar o firewall, se virar com os bugs. O uso de teclas feitas especificamente para momentos de pânico, aqueles em que o usuário não sabe o que fazer, era comum.

General Protection Fault? Tela azul? Então CTRL-ALT-DEL!!!!

Naquela época nada salvava o usuário, nem mesmo os manuais e os serviços de suporte.

Mas aí veio uma turma diferente que pensou em colocar o usuário no lugar da tecnologia. Por que não? Ao invés de fazer a tecnologia pela tecnologia, vamos pensar no usuário. Por que não fazer um design thinking e entender a persona. Bem ao estilo Globo Repórter…

-“A persona, como ela vive? De onde ela vem? O que ela come?”

Ao entender o usuário, passamos a saber que tipo de tecnologia ele consegue lidar. O exemplo número um é a tela sensível ao toque. Ao tirar a barreira do teclado físico e deixar as pessoas usarem os próprios dedos clicando nos locais óbvios da tela, a acessibilidade subiu exponencialmente. Isso foi feito com maestria no design do iOS e foi melhorando muito com a concorrência do Android.

Para esse novo mundo eu proponho o seguinte “il Grafico Dallagnol”.

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Nesse mundo tudo gira em torno do usuário. Ele não quer dar mais que 3 cliques para nada. Sempre que ele tem um problema, ele procura um App para resolver. E, se a empresa não tem um App para ajudá-lo, ele pensa em mudar de provedor de serviço. Esse App precisa ser atualizado toda semana, e de forma muito ágil entender as demandas do usuário e melhorar. Manual? Que nada! O usuário baixa e já sai usando, se não entende, ele apaga. O usuário quer uma experiência única, que seja engajadora, e que gere momentos épicos, os quais ele vai compartilhar.

O segredo para se conseguir essa transformação passa por entender o lado humano da interação entre sua empresa, seu produto ou seu app. Quem não entender muito bem isso vai acabar em apuros.

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