O legado olímpico e a inovação no marketing

Por Tiago Bueno | 23 agosto 2016

Por ser um grande amante de esportes, sou suspeito para falar, mas, na minha opinião, as Olimpíadas do Rio foram um acontecimento fantástico e de sucesso, daqueles de deixar o brasileiro com orgulho do que foi obtido dentro e fora das arenas e com aquela nostalgia boa de ter participado e contribuído para um evento histórico que vai demorar para se repetir (como, aliás, ocorreu com a Copa de 2014).

Muito se fala do legado de eventos como esse e, focando somente os legados intangíveis, me parece claro que um dos mais discutidos e colocados em evidência foi o respeito e a valorização da diversidade. Número recorde de atletas mulheres, diversos medalhistas brasileiros provenientes de projetos de recuperação social através do esporte, a modelo transgênero que puxou a delegação do Brasil na cerimônia de abertura, as críticas feitas ao judoca egípcio que não quis cumprimentar o seu oponente israelense, etc.

Mas existe um outro aspecto de diversidade que não me pareceu explorado suficientemente: o respeito (ou não) à diversidade cultural relacionada ao comportamento da torcida brasileira nos jogos. Tema debatido, criticado ou defendido por diversos atletas e representantes da imprensa, as vaias, gritos, cantos e até exageros tão típicos dos nossos estádios de futebol foram um elemento muito presente em todos os esportes olímpicos.

Não quero entrar no mérito de ser a favor ou contra esse tipo de comportamento. O que acho essencial é que devemos analisá-lo como o nosso forte elemento cultural que é. Da mesma maneira que, aos nossos olhos, diversos tipos de comportamento religioso, social, político e de costumes de outros países podem parecer estranhos, acredito ser indispensável termos a maturidade para analisar a nossa própria natureza.

Não é porque os outros fazem que devemos fazer igual. Temos que estar abertos, sim, ao aprendizado, mas também à valorização do que é nosso.

E considero isso indispensável por um simples motivo: porque é genuíno.

E o que é genuíno merece ser primeiramente entendido no contexto no qual está inserido e somente depois analisado e, eventualmente, criticado, elogiado ou adotado.

E aí entra a minha consideração sobre a inovação no marketing. Quantas empresas desenvolvem um marketing realmente genuíno? Quantas realmente estudam o propósito da organização e exprimem os seus ideais no que fazem? Não só nas suas mensagens publicitárias, mas no dia a dia dos seus funcionários, no desenvolvimento dos seus processos e na maneira como desenham as suas interações com os clientes?

Do meu modestíssimo ponto de vista, o marketing que não é genuíno, que não representa a realidade, que promete, mas não entrega não é marketing, é antimarketing.

Logo, talvez o grande desafio que devemos enfrentar como profissionais de marketing não seja somente o de estar atualizado com toda a inovação tecnológica que está nos inundando, mas também o de enfrentar o desafio cultural de resistir à tentação fácil do antimarketing e adotar um marketing de verdade, genuíno.

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