O impacto da “geração wearable” no marketing

Por Innovation Insider | 13 julho 2015

Quem são os consumidores que usam relógios inteligentes, que prestam a maior variedade de serviços sem a necessidade de empenhar muito esforço

 

Quem é a “geração wearable”, que usa relógios inteligentes e espera que marcas e produtos de alguma forma facilitem a sua vida? É difícil definir ou colocar esse público em silos. Para começar, nem mesmo a idade desse grupo está bem delimitada. O único consenso que parece existir até agora é que, embora “nova”, essa geração não é exatamente formada por pessoas muito jovens.

Ricardo Longo, CEO da consultoria Onoffre, acredita que o público mais propenso a aderir a esses produtos deve, hoje, ter entre 25 e 35 anos. Os mais novos, ele acredita, não devem se empolgar tanto e nem tão cedo com os gadgets vestíveis. Por que não? São três motivos, basicamente. “Primeiro, temos aí um componente de moda e autoafirmação”, afirma. “A garotada com menos de 18 anos quer ser diferente e não ver todo mundo usando a mesma pulseira e o mesmo relógio”, explica. Prova disso, segundo ele, foi a iniciativa da Apple de disponibilizar vários modelos, tamanhos e cores do seu Apple Watch.”A Apple não costuma fazer isso, mas, desta vez, o número de combinações que você pode fazer é absurda e esse é um grande diferencial sobre os modelos únicos da Sony e da Samsung, por exemplo.”

O segundo fator que deve afastar os mais jovens dessa moda é o preço dos dispositivos. “Eles ainda não têm tanto dinheiro e esses aparelhos custam caro”, afirma. “Não dá para bancar um celular topo de linha e um wearable que custa quase tanto quanto e, entre os dois, aposto que eles escolhem o primeiro.”

A terceira observação de Longo é que os objetos vestíveis entram na linha de produtos feitos para aumentar a produtividade das pessoas. “Conseguir ler uma mensagem e responder sem usar as mãos é uma melhoria e tanto de performance”, diz ele. “Da mesma forma, medir passos, batimentos cardíacos etc também melhora a saúde”, afirma. E aí, claro, mais uma vez a “molecada”, como ele define, não está tão preocupada nem com saúde nem com a produtividade.

 “Essa geração mais nova não quer estar hiperconectada, não é cool para ela usar um Google Glass”, afirma Mauro Silva, diretor de criação da LiveAD, que concorda em gênero, número e grau com as afirmações de Ricardo Longo. Ele também acredita que a “geração wearable” não deve ser formada pelas pessoas mais jovens, principalmente pela questão financeira, que deve pesar no processo de compra dos novos dispositivos. “Além disso, para os mais jovens, ainda falta uma função principal para esses aparelhos que, por enquanto, não são mais úteis que um smartphone”, afirma.

Silva apoia suas impressões numa pesquisa feita na Inglaterra, cujos resultados são bem surpreendentes. O levantamento, feito pelo do YouGov, que avalia opinião pública e comportamento do consumidor, indica que 6,1 milhões de ingleses querem ter um wearable no próximo ano. Atualmente, 2,8 milhões de pessoas já têm algum dispositivo vestível por lá e, até as compras de final de ano, esse número deve subir para 4,7 milhões.

O mais interessante da pesquisa, no entanto, é que 40% dos que usam um smart watch têm entre 25 e 34 anos. Quer mais? Entre os proprietários de fitness band – acredite ou não – 42% têm mais de 45 anos. O estudo sugere, inclusive, que as motivações para comprar os aparelhos sejam bem diversas. Quem compra uma fitness band faz isso em busca de um aparelho funcional para melhorar a saúde e acompanhar o progresso das atividades físicas. Já quem investe num smart watch quer principalmente ser um early adopter da tecnologia.

As definições de classe social e perfil dessa “geração” também estão obscuras. “Esses produtos ainda são muito caros, então é óbvio que a penetração vai ser maior na classe alta, mas esse limite é imposto apenas pelo fator financeiro e pelo não conhecimento ou interesse por de tecnologia”, afirma Ricardo Cavallini, fundador do Makers Brasil. Não fossem os preços, ele acredita, a geração wearable não teria uma classe social definida. Para o gênero, ocorre o mesmo. “Não dá para dizer que tecnologia é mais coisa de homem do que de mulher porque isso já está caindo”, afirma. “Sem contar que o wearable tem um componente muito próximo do público feminino, que é roupa, estilo, moda.”

Cavallini acredita que até faça sentido dizer que uma das características da geração wearable seja gostar de tecnologia, mas afirma que nem isso é definitivo. “Uma característica também importante é de as pessoas já terem entendido o benefício que essa tecnologia pode trazer” afirma. “Muita gente usa a pulseira de fitness ou o medidor de glicose pela utilidade do aparelho, independentemente de gostar ou não de tecnologia, de ser ou não um early adopter.”

O maker acredita, inclusive, que essa característica de usar o wearable mais pela funcionalidade do que pela tecnologia deve aumentar na medida em que os aparelhos tiverem mais vantagens práticas. “Eles vão fazer parte da vida de muita gente.” No futuro, que fique bem claro. “As coisas ainda são bobas perto do que a tecnologia pode oferecer”, diz ele. E, como prova, cita seu próprio exemplo. “O relógio da Apple deve ser o primeiro produto da marca que eu não tenho vontade de usar”, revela. “Não uso relógio, mas sei que isso pode mudar se o aparelho passar a oferecer funções muito interessantes, o que não ocorre hoje”, acredita. Outro exemplo é o próprio Google Glass que, para ele, só funciona em parceria com o celular exatamente porque grande parte das funcionalidades podem ser supridas pelo parceiro.

O desafio, ele imagina, é semelhante ao que se apresentou ao mobile nos seus primórdios. “Os clientes queriam estar lá, mas sempre acabavam preferindo outras ferramentas que tivessem mais abrangência e métrica controlada”, afirma. “O wearable tende a ser visto pelas agências e pelos clientes da mesma maneira e ainda vai demorar um tempo para alguém descobrir como usar e monetizar em cima dele.”

Cavallini é mais otimista e acredita que as marcas mais inovadoras podem criar experiências em wearable sem necessidade de esperar que o mercado ou o consumidor mude. “Elas podem sair na frente”, acredita. “Como qualquer outra tecnologia, não é preciso que vire mainstream para usar, criar ações de visibilidade, gerar experiências”, diz. “Quem vende um produto de consumo pode não conseguir ainda fazer uma ação de massa, mas pode criar alguma coisa para conceito.”

Comentários

  1. Conteúdo bem esclarecedor. Muito satisfeito com a matéria. Parabéns a equipe da Innovation Insider.
    Abraços

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

White Paper relacionado


Marketing

Mobile e e-mail: endereçando certo, para o público certo, o tempo todo.

Você pode usar e-mail e as plataformas mobile para fidelizar seu público. Com precisão e frequência. IBM Unica eMessage (330 downloads)

Artigos Relacionados