Nos próximos anos, agências e grupos de mídia podem estar extintos.

Por Pyr Marcondes | 12 maio 2016

O debate que encerrou o evento ProXXIma X, realizado nos dias 09 e 10 de Maio no WTC/SP, apontou para um futuro incerto da indústria da comunicação como a conhecemos. Convidados a participar de uma reflexão sobre os próximos 10 anos do setor, Abel Reis, CEO da Dentsu Aegis Network e da Isobar Latam, Enor Paiano, Vice-Presidente Senior da IMS Latam, Marcelo Sant´Iago, sócio e CEO da MBreak consultoria e Romero Rodrigues, sócio do Red Point Eventures, compartilharam com a plateia suas respectivas visões sobre o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

O ponto de vista que se destacou no encontro foi o de Abel Reis, que afirmou que em 10 anos os grupos de mídia e agências correm o risco de estarem extintos, pelo menos da maneira como conhecemos. Três fatores podem levar a esse cenário, segundo Abel: a pressão de desintermediação de agências e anunciantes oriunda principalmente de empresas como Google, Facebook e Twitter; o avanço de consultorias e empresas nativas digitais, como Accenture, Deloitte, IBM, Mckinsey e PWC, no mundo do marketing; e o fenômeno da automação e programática.

De um modo geral, as possíveis tendências que deverão se estabelecer como mainstream no mercado serão, na opinião dos debatedores, a consolidação e liderança do mobile como plataforma de interação e de comunicação, a automação crescente no marketing, a expansão da inteligência artificial para uso da indústria, a solidificação no Brasil do setor de fintech, o aprofundamento da presença de empresas de consultoria no âmbito hoje ocupado pelas agências de propaganda e a profunda transformações desses impactos no âmbito do marketing e da publicidade brasileiras.

“Costumo brincar que se soubesse o futuro, não contaria para ninguém (risos). No que vi do mobile, só estamos arranhando a superfície. A base de smartphones no Brasil vai passar de 30% para 70% em cinco anos”, disse Romero Rodrigues, da Red Point Eventures, ressaltando ainda que a ineficiência da economia brasileira – e latino-americana – será corrigida pela tecnologia e pelo mobile.

Brincando que sua única certeza é que 2026 será o ano do mobile, Marcelo Sant´Iago, ex-Media Math, apontou que a automação de processos no ambiente de mídia e negócios será uma tendência, tanto B2B quanto B2C. “A mídia programática será resolvida. Não existe mídia e mídia programática. Só muda a forma de comprar”. Para Enor Paiano, da IMS, o problema de conexão no Brasil já está resolvido e todos já sabem que o mundo é mobile. “Todos com um telefone na mão conectado o tempo todo é a realidade”, destaca.

“O mercado tem a trincheira da criatividade e pode reinventar rapidamente seu papel”, analisa Abel. “Acredito que as melhores agências daqui a 10 anos serão aquelas que sintetizem criatividade no conteúdo, capacidade de consultoria de negócios e competência no design de produtos e serviços”, complementa.

 

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