Não acredite em tudo que você pensa (calma, não estou criticando jargões de autoajuda)

Por Rodrigo Giaffredo | 04 dezembro 2015

Calma, não tem nada a ver com negar jargões de autoajuda e tals. Para falar a verdade, eu acho mesmo que acreditar é um bom começo para qualquer empreitada, afinal, tudo que existe já foi uma ideia, né?

O que eu estou querendo dizer aqui é que, sempre que der, a gente deveria envolver mais pessoas no processo criativo, seja ele na circunstância que for, pelo simples motivo de que muitas cabeças, com variadas experiências de vida e formas diferentes de enxergar as coisas, potencialmente farão surgir mais ideias possíveis para seja lá o que for que estiver em questão.

Pense comigo (olhe aí a gente interagindo e multiplicando por dois a análise do que eu vou dizer): imagine que você tem um problema e o vivencia o tempo todo, todo dia. Corre o risco de você estar tão intoxicado pelo cenário geral que qualquer ideia que passar pela sua cabeça pode tomar uma “gongada” forte de cara, tipo: “Cara, isso não vai dar certo” ou: “Meu, isso nunca vai funcionar” ou ainda: “Se eu parar para fazer isso, a casa cai”.

Mas aí você resolve envolver gente da sua confiança na análise da situação. Digamos que você me chama. E, como eu estou de fora e sou cuca-fresca por natureza, começo a propor coisas que só alguém “de fora” proporia. Pode ser que eu fale um monte de bobagens, mas pode ser também que, na minha simplicidade, eu o tire da sinuca de bico, olhe aí!

Agora imagine que, além de mim, você chame mais uns quatro ou cinco chapas de confiança para ajudá-lo. Em partes, talvez sem querer a gente comece a usar uma parada que eu gosto demais, chamada de Design Thinking.

O Don Norman, “guru” da ciência cognitiva, traduziu essa ferramenta mágica de análise de problemas e proposição de soluções cheias de empatia com uma frase que eu acho sensacional. Ele disse o seguinte (só que em inglês, mas fica frio que eu fui “leal” na tradução):

“Designers não tentam encontrar uma solução até que tenham determinado o real problema, e, mesmo nesse momento, em vez de partirem para a resolução daquele problema, eles param para considerar um grande conjunto de possíveis soluções. Somente aí convergem numa proposta de solução. Esse processo é chamado de Design Thinking.”

Daí você pode me dizer: “Mas, Giaffredo, eu não sou designer e até onde eu sei você também não é – e nem a galera que eu chamei para pensar com a gente é designer”.

Tá, a gente pode até não ser bom com a caneta na mão, mas, pensando bem, a gente “desenha”, sim, ainda que mentalmente, as soluções, produtos, serviços… A gente idealiza, não é verdade?

E o que é uma ideia, se não um “desenho” não materializado? Concorda que a gente consegue agir como os “designers” descritos pelo Don?

Outro elemento importante sobre esse negócio de idealizar é ser empático. O Jason Fried, da Basecamp, disse certa vez que “bom design envolve reconhecer que a pessoa do outro lado tem muito menos paciência do que você tem”. Sensacional isso, né?

É aquele tipo da coisa óbvia, mas que por vezes a gente se esquece de considerar quando idealiza soluções. Ser capaz de se colocar no lugar do outro, emular o que ele faria, falaria, pensaria e sentiria a respeito do que vamos propor faz com que o resultado final se transforme em uma experiência melhor para quem a tiver.

Então fica a dica: na próxima vez em que tiver pela frente o desafio de solucionar ou desenvolver algo, que tal levar em conta estes dois aspectos: “crowd thinking” com gente de confiança e “empatia brutal” pela pessoa ou grupo que você quer favorecer?

Comentários

  1. Douglas Alexandre de Campos disse:

    Com relação a definição “bom design envolve reconhecer que a pessoa do outro lado tem muito menos paciência do que você tem”, poderia eu entender que isso faz direta referencia áqueles tipos que rapidamente geram uma idéia e querem, a qualquer custo, as fazer valer, seja em uma genuína reunião de Design Thinking ou qualquer outra reunião de negócios ?

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