Inteligência artificial: o que ela vai mudar no seu trabalho

Por Innovation Insider | 15 setembro 2015

Você já se perguntou qual será o papel da inteligência artificial no futuro da publicidade? Se ainda não pensou nisso, possivelmente seja a hora de começar a fazer alguns questionamentos, como vêm fazendo John Still, em artigo no The Guardian, e Jason Alan Snyder, no ImediaConnection.

Still lembra que já existem anúncios capazes de se adaptar às reações dos consumidores – e isso não é ficção, é mundo real mesmo. Como exemplo, ele cita a parceria entre M&C Saatchi, Clear Channel e Posterscope que revelou, como ele define, o que foi chamado de “primeira campanha de posters artificialmente inteligente do mundo”. Isso porque, segundo David Cox, diretor de inovação da M&C Saatchi, foi a primeira vez que um pôster se escreveu sozinho, com base no que funciona de fato – e não no que uma pessoa pode pensar que funciona. Para isso, a peça tinha um “gene pool” capaz de gerar 22 anúncios de cada vez. A cada geração, ela “interpretava” as reações do seu público e – com base nos resultados colhidos e interpretados – ia adaptando sua mensagem para as próximas audiências. As combinações bem-sucedidas de palavras passavam para a próxima etapa. As que não tinham sucesso eram logo descartadas.

Segundo Still, a tecnologia seria como um “algoritmo de Darwin”, em que a seleção “natural” leva à evolução. O pôster, que funciona com um Kinect, pode avaliar 12 pessoas de cada vez, capturando seus movimentos anonimamente. As pessoas que estão olhando para ele não percebem qualquer alteração imediata. A análise é utilizada apenas para a seleção dos anúncios que serão exibidos nas próximas vezes. “Interação ao vivo e reconhecimento facial podem, quem sabe, ser o próximo passo”, aposta Still.

O especialista questiona o significado de haver uma máquina capaz de escrever seus próprios textos, selecionando e adaptando imagens de modo eficaz para a indústria da publicidade e, especialmente, para o processo criativo.

Por enquanto, com base nos resultados iniciais, ele afirma que diretores de arte e redatores podem ficar tranquilos, pelo menos por um tempo. Isso porque as combinações de palavras exibidas, embora não fossem totalmente ruins, muitas vezes ficavam desajeitadas, com aquela cara de “copiar e colar” automático. “Daqui a dez anos, no entanto, quem é que sabe do que essas máquinas serão capazes?”, questiona.

“É bem possível que um toque humano seja sempre necessário, mas quando criatividade e tecnologia se encontram de uma forma muito escalável é bem provável que um nível de engajamento muito mais alto do que conhecemos seja alcançado”, aposta. Para ele, essa novidade pode representar o futuro do engajamento das campanhas out-of-home. Sem fazer drama, ele afirma que muito possivelmente a inteligência artificial não vá causar a queda da humanidade, mas poderá, sim, transformar a forma como a publicidade é criada e orientada.

Já para Snyder, drones que entregam Domino’s, realidade aumentada, a era dos algoritmos, compra de mídia por lances em tempo real (ou RT, de real-time bidding), geolocalização etc já são sinais muito claros de que a inteligência artificial deixou de ser um futurismo. Ele afirma que essas ideias e o crescimento e a adoção exponenciais da tecnologia já fazem parte dos negócios e estão presentes nas nossas vidas.

Também como prova disso, ele observa que ninguém menos do que Ray Kurzweil, para quem não se lembra, inventor e futurista dos Estados Unidos que foi pioneiro em reconhecimento ótico de caracteres, síntese de voz, reconhecimento de fala e teclados eletrônicos, se tornou diretor de engenharia do Google. “Esta é a nossa indústria agora – e nosso destino”, ressalta ele.

Snyder não tem dúvidas de que a inteligência artificial deve fazer novas incursões na publicidade muito em breve. Para ele, quem ainda acha que isso é ficção está totalmente defasado. “Todos os dias, em todos os lugares, nós assistimos à dança entre a inteligência das máquinas e dos humanos”, afirma.

A nossa relação com o mobile – que já se tornou delicada, pessoal e até emocional – bem possivelmente seja o melhor exemplo do que ele afirma. “Amor, ódio, confiança e status são algumas das emoções que nós projetamos sobre o nosso relacionamento com as máquinas inteligentes que entram e saem de nossos bolsos e bolsas diariamente”, afirma. É fato que esses aparelhinhos diariamente nos dizem onde estamos e que caminho devemos fazer e também nos conectam com pessoas e coisas que amamos.

A dica de Snyder é prestar atenção ao fato de esses dispositivos estarem começando a fazer um bom trabalho de antecipar nossos desejos, necessidades e personalidade. Para pessoas de marketing, ele alerta que é preciso pensar em adaptar as conversas a essa realidade, conversando com essas pequenas máquinas e – claro – levando a sério essas conversas. Será que agências e clientes estão prontos para essa transformação?

Referências:

http://www.theguardian.com/media-network/2015/jul/27/artificial-intelligence-future-advertising-saatchi-clearchannel

http://www.imediaconnection.com/content/34888.asp

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