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Hoje, oficialmente, Whole Foods vira Amazon: e daí?

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A compra da Whole Foods pela Amazon pela pechincha de US $ 13,7 bilhões deverá se tornar oficial hoje.

A Amazon tornou pública semana passada sua estratégia de tornar os preços da maior cadeia de lojas físicas de produtos naturais do mundo mais baratos, colocando a competitividade do setor nas alturas.

Se eu tivesse uma cadeia de supermercados (seja on, seja off-line) nos EUA hoje, andaria feito sonâmbulo pelas ruas da cidade, perguntando-me filosoficamente: wtf devo fazer agora?

Bom, é de se esperar que a Amazon comece a estender para as lojas físicas da Whole Foods a experiência de suas próprias lojas físicas, que são hoje o estado da arte em termos de integração da experiência on e off no varejo. Você entra, compra e vai embora sem passar por checkout algum. Tudo é computado via suas conexões digitais móveis e seus dados pessoais já armazenados na nuvem dos servidores Amazon.

Nos meus pensamentos de dono de supermercado, certamente estaria concluindo desesperado:
“Ferrô! Minha tecnologia não é nada perto disso daí!”.

Ferrô mesmo. Nenhuma outra rede tem, nem de longe, tecnologia para competir com a Amazon.

É de se esperar que não só a experiência física nas lojas Whole Foods melhore sensivelmente, como também a experiência online, pelos mesmos motivos: a Amazon é a melhor experiência online de compras do mundo. Faz tempo. E suas iniciativas pioneiras de deliver, como o AmazonFresh, PrimeNow e Prime Pantry, que usam até drones para entregar as mercadorias, estarão agora a serviço também da Whole Foods.

O principal concorrente dessa nova gigante do varejo nascida das entranhas da fusão Amazon/Whole Foods, o Walmart, percebeu que sua estratégia obsoleta que antes separava on e off-line em duas operações não faz mais o menor sentido e integrou tudo numa coisa só. O motivo é simples: ELAS SÂO UMA COISA SÓ PARA O CONSUMIDOR!

Para um segmento ainda inegavelmente relevante na pirâmide de consumo de bens de primeira necessidade e de uso massivo, os package goods, ou seja, para o público de meia idade pra cima, que ainda faz questão de ir a sua mercearia de conveniência da esquina e comprar seus produtos físicos como sempre fizeram, todas essas novas integrações tecnológicas não deverão ter (ainda) grande efeito.

No entanto, para as gerações de 35 anos para baixo, e todas aquelas que virão daqui para a frente, a compra integrada on/off será a única hipótese cabível e aí a oferta de alta excelência em termos de experiência integrada da Amazon/Whole Foods é matadora.

Durma-se com um barulho desses.

Meu personagem, o tal dono de supermercado aqui idealizado, definitivamente, perdeu seu sono.

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Pyr Marcondes é jornalista, consultor e autor. Foi repórter da revista IstoÉ, Jornal da Tarde e Playboy. Foi diretor editorial para o Grupo Meio & Mensagem desde a década de 90. Foi Sócio e Diretor de Criação na agência de publicidade Grottera & Cia. (TBWA) durante 10 anos. Foi Country Manager do portal StarMedia no Brasil. Co-fundador e CEO da Digital Strategy, consultoria pioneira em marketing e comunicação digital no País. Co-Fundador e Diretor de Marketing da FUN Generation, empresa de mobile marketing. Co-Fundador e Diretor da Superbrands Brasil (2005/2009). Consultor adjunto da BrandFinance, consultoria de marcas inglesa (2004/2005). Foi Diretor-Geral da Plataforma Proxxima, de marketing e comunicação digital do Grupo M&M. É hoje Diretor Geral da M&M Consulting, empresa de consultoria e negócios para a indústria do marketing digital. Pyr Marcondes é autor de inúmeros livros sobre história da propaganda e sobre marcas. É hoje referência na indústria digital brasileira. É palestrante, membro de conselhos e consultor.

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