GM assume direção da própria disrupção

Por Innovation Insider | 08 Maio 2018

A GM, presente no Brasil desde 1925, tem mudado processos nos últimos anos e acelerado lançamentos. A estratégia, agora, consiste em fazer produtos globais, e não mais restritos a mercados locais. Exemplo disso é o Bolt, carro elétrico que deverá chegar ao País em 2019. Com investimentos de R$ 13 bilhões até 2020 no Mercosul (Brasil e Argentina), a empresa se prepara renovações completas de linhas e também para ser a empresa que o consumidor deseja. O diretor de marketing da GM Mercosul, Hermann Mahnke, detalha como isso tem sido feito.

Hermann Mahnke, diretor de marketing da GM Mercosul, fala como a fabricante encara a transformação digital do segmento e o que tem feito para romper com o estabelecido (Crédito: Divulgação)

 

Especial ProXXIma – A conectividade e tecnologia embarcada são duas tendências na indústria automobilística. Até que ponto são argumentos de venda decisivos para o consumidor?
Hermann Mahnke – Sem dúvida nenhuma, são referências. Porque isso permeia tudo o que temos feito com a nossa linha de produtos. Quando falamos de tecnologia e conectividade, não é ter tecnologia por tecnologia, e sim como solução e propósito na vida das pessoas. O Onix em outubro de 2012, foi o primeiro carro a trazer recursos de tecnologia à vida das pessoas. A conectividade foi uma aposta que fizemos porque não tínhamos nenhuma pesquisa que chancelava essa ideia. Apostamos no que seria o carro conectado, com o sistema multimídia MyLink, que permitia que alguns aplicativos fossem acessados na tela. Naquela época, foi muito inovador. Em 2016, lançamos o OnStar (espécie de assistente pessoal da Chevrolet) que permite que se tenha acesso a várias funções por meio do smartphone como a quilometragem do veículo, o estado dos pneus, a abertura e travamento de portas e até mesmo diagnósticos avançados. Neste momento, em que começa a predominar a internet das coisas (IoT), temos funções que permitem, claramente, a conectividade entre carro e consumidor.

Especial ProXXIma – E como se dá essa experiência?
Mahnke – Primeiro, você consegue ter apps de alta relevância, como o Wave. Até pela própria característica de insegurança, conseguimos projetar o Wave na tela do sistema multimídia. Não é preciso mais ficar com o smartphone nas mãos. Algumas funções do OnStar, por exemplo, vão nessa direção de segurança. Se o veículo é roubado em qualquer cidade brasileira, o cliente pode entrar em contato com a central pelo app. A partir daí, vamos monitorar e disparar comunicação com a polícia de que o carro foi roubado. Faremos esse monitoramento em tempo real, com a possiblidade de saber onde o carro está. Mas não vamos, por exemplo, cortar a alimentação de combustível porque o ladrão pode estar em alta velocidade e isso provocaria um acidente. Mas podemos usar tecnologias que permitem que, se o veículo estiver a 120 Km/hora e reduzir para 50 Km/hora, o condutor não conseguirá ultrapassar esses 50 Km/hora. E, se reduzir para 40 Km/hora, não ultrapassará mais os 40 Km/hora e assim por diante.

Especial ProXXIma – A empresa anunciou, recentemente, que fará uma grande renovação da linha, tanto para modelos quanto para motores, com novas gerações do Onix, Prisma, Spin, Cobalt e Tracker a partir de 2019, inclusive com integração global de produtos. Como esses projetos se relacionam às novidades tecnológicas que acontecem em outras indústrias como inteligência artificial, conectividade e sensores que transformam os veículos em internet das coisas?
Mahnke – Sim, tem muita coisa legal que está por vir. E, sim, temos muita tecnologia a ser desembarcada no Brasil muito em breve, numa agenda de renovação e lançamentos para democratizar e surpreender o consumidor. Temos a intenção de entrar no mercado de carro elétrico com o Bolt (a partir do ano que vem), que é um veículo que tem autonomia de quase 500 quilômetros. Já está em testes no Brasil. O OnStar talvez seja a prova mais contundente de como a IoT consegue trazer benefícios para o consumidor. É uma resposta mais categórica, embarcada nos produtos, e que consegue se relacionar tanto com quem está no carro quanto nas centrais de monitoramento.

Especial ProXXIma – Mas o Brasil está preparado para receber carros elétricos nessa escala?
Mahnke – O mercado brasileiro tem uma característica interessante: não é o primeiro a receber tecnologias inovadoras, por ser emergente e sensível a preços. Essas tecnologias acontecem antes nos mercados desenvolvidos. Mas o País é early adopter. Embora a tecnologia não chegue primeiro, quando chega, vem muito rápido. O próprio smartphone mostra muito isso. Tem muita gente que não sabe o que é acessar a internet por desktop, por exemplo. O Brasil receberá a tecnologia do carro elétrico ou autônomo, que é outro projeto no qual estamos mergulhados, de forma muito rápida. O certo é que não somos um mercado resistente e tampouco seremos os últimos a receber essas novidades.

Especial ProXXIma – Sobre o projeto de carro autônomo, como está a evolução desse segmento na GM?
Mahnke – Bem, claro que o Brasil não será um dos primeiros mercados a receber esse carro. A limitação está na nossa infraestrutura e na legislação. Se comparado a outros mercados que estão na ponta desse tema, como Estados Unidos e Europa, já existe a preocupação com a legislação para receber veículos autônomos. Aqui, temos outros temas na pauta. Mas, como mercado early adopter, talvez o Brasil receba o carro autônomo mais rápido do que pensávamos. Para a GM global, o carro autônomo é uma prioridade no do negócio. No Brasil, um carro autônomo, por exemplo, poderia ser compartilhado. O consumidor vai para casa e libera o carro para outra pessoa. São soluções em que não se fica dependente de estacionamento ou de ter um carro parado. Por tanto tempo.

Especial ProXXIma – Nessa visão de entregar produtos que respondem à demanda do público, a GM tem um projeto-piloto do Maven, programa de compartilhamento de veículos, em suas fábricas no Brasil – que foi o segundo país, atrás dos Estados Unidos, a receber o programa. Este ano, o serviço seria oferecido em condomínios de São Paulo. Isso já está acontecendo?
Mahnke – Temos um piloto do Maven nas fábricas no Brasil. O mais importante é a conectividade que viabiliza o Maven. No OnStar, você baixa o Maven, agenda o uso, abre o carro, usa e deixa em outro pool. Você é taxado pelo tempo em que usou o carro. É um sistema inovador e flexível para que se use um carro compartilhado. Muito em breve, teremos um projeto de expansão desse sistema no País.

Especial ProXXIma – A indústria automobilística brasileira voltou a crescer em 2017 após três anos de quedas. Qual é a perspectiva do setor para este ano?
Mahnke – A expectativa é positiva. Estamos otimistas, embora muito dependentes de fatores macroeconômicos. Entre as variáveis, o que mais oscila é a confiança do consumidor. Tem havido uma recuperação do País. Consequentemente, o mercado volta às melhores estimativas de crescimento, muito perto dos dois dígitos de 2017. No ano passado, foram emplacados mais de 2,2 milhões de automóveis (de passeio, comerciais leves como picapes e furgões, caminhões e ônibus), num crescimento de 9,23% em relação a 2016. Para este ano, a estimativa é de venda de 2,7 milhões de veículos.

Especial ProXXIma – A GM anunciou no ano passado a ampliação do seu plano de investimentos no País para R$ 13 bilhões até 2020. O aporte extra de R$ 6,5 bilhões será utilizado no desenvolvimento de uma família global de veículos a ser produzida nas unidades de São Caetano do Sul (SP) e Gravataí (RS). Esses planos continuam?
Mahnke – Continuam. Fizemos outro anúncio de investimento depois disso, para modernizar nossas fábricas. São quatro plantas no Mercosul — três no Brasil e uma na Argentina. No Brasil, recentemente, foram modernizadas as plantas de Joinveille (SC) e São Caetano do Sul (SP). E também a fábrica de Rosario, na Argentina, recebeu recursos para modernização.

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