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Facebook captura dados. Agora, é o Facebook que será capturado.

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A instituição sem fins lucrativos em pról do jornalismo ético ProPublica está testando uma ferramenta que funciona acoplada ao Google Chrome que monitora aquilo que o Facebook serve para cada um de nós como sendo aquilo que, pelos dados que detêm, deveria ser o que nós desejamos ver nos nossos feeds pessoais.

O projeto se chama What Facebook Thinks You Like e permite que todo internauta tenha acesso aos conteúdos que a maior rede social do mundo destina a cada um de nós, atividades, mensagens comerciais e publicitárias, marcas, conteúdos. A ferramenta entrega também em que categorias de produtos e marcas os internautas estão categorizados.

Em verdade, o próprio Facebook não esconde esses dados dos seus usuários. O que ProPublica deseja é entender melhor a reação dos próprios internautas em relação ao tratamento que recebem online de plataformas de dados, sendo o Facebook a mola-mestra da gestão de dados pessoais de internautas em todo o mundo.

Ressalte-se aqui que a maior parte desses dados foi aberta e despreocupadamente disponibilizada na rede de forma espontânea por parte dos próprios facbookers.

Esse experimento da ProPublica não para aí. Deverá se estender para outros grandes players e sua intenção, claramente política e social, é de tentar quebrar, de alguma forma, o código dos algoritmos dessas operações, tornando informações utilizadas por elas para distribuir conteúdos e publicidade para a população em geral.

A rigor, esses dados deveriam ser todos ser públicos por princípio ético. Mas não é bem assim que as coisas acontecem no mundo digital hoje em dia.

Não há crime algum ou nada a ser reprovado que operações online façam ofertas publicitárias a seus usuários, customizando-as segundo os dados de perfil que têm em seus bancos de dados. Em muitos casos, elas podem até ser muito bem vindas por sua adequação e pertinência.

O que ProPublica e cada vez mais gente em todo o mundo começa fortemente a criticar é a caixa preta. O desconhecimento de como esses dados são manipulados e utilizados, normalmente à revelia do conhecimento claro e aberto dos internautas. Ainda que eles tenham postado suas preferências, informações pessoais, dados cadastrais e até de consumo sem que ninguém os tenha obrigado a fazer isso.

Ignorar o uso desses dados e ser de alguma forma objeto de ações que desconhecem é a questão em questão.

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Pyr Marcondes é jornalista, consultor e autor. Foi repórter da revista IstoÉ, Jornal da Tarde e Playboy. Foi diretor editorial para o Grupo Meio & Mensagem desde a década de 90. Foi Sócio e Diretor de Criação na agência de publicidade Grottera & Cia. (TBWA) durante 10 anos. Foi Country Manager do portal StarMedia no Brasil. Co-fundador e CEO da Digital Strategy, consultoria pioneira em marketing e comunicação digital no País. Co-Fundador e Diretor de Marketing da FUN Generation, empresa de mobile marketing. Co-Fundador e Diretor da Superbrands Brasil (2005/2009). Consultor adjunto da BrandFinance, consultoria de marcas inglesa (2004/2005). Foi Diretor-Geral da Plataforma Proxxima, de marketing e comunicação digital do Grupo M&M. É hoje Diretor Geral da M&M Consulting, empresa de consultoria e negócios para a indústria do marketing digital. Pyr Marcondes é autor de inúmeros livros sobre história da propaganda e sobre marcas. É hoje referência na indústria digital brasileira. É palestrante, membro de conselhos e consultor.

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