Esqueça a apresentação e crie um protótipo. Por Marcio Paulo Guedes [TLC]

Por Innovation Insider | 10 março 2017

Enquanto a Era Cognitiva possibilita o aumento quase que ilimitado da qualidade e do valor das soluções que entregamos, esse momento também torna obsoletos alguns processos e ferramentas aos quais estamos acostumados. Quantos de nós já não nos frustramos ao tentar demonstrar uma tecnologia, serviço ou processo a um cliente utilizando apenas slides? Frases e imagens soltas em uma projeção na tela estão bem longe daquilo que verdadeiramente estamos querendo demonstrar. Mas como, na prática, é possível mudar essa situação? Por onde começar? Onde apoiar-se? Como não iniciar uma trajetória que já foi desbravada por outros? Para responder a essas perguntas vamos dar o exemplo de uma solução que foi desenvolvida em pouco mais de dois dias para auxiliar em uma venda com sucesso de um aplicativo móvel para a operação brasileira de um cliente da indústria de seguros.

Apresentar um protótipo ao cliente, sem dúvida, traz uma experiência muito mais rica e direta sobre as possibilidades do que pode ser feito. Apesar de parecer complexo em um primeiro momento, levar ao cliente algo tangível, funcional e de fácil assimilação pode ser uma experiência gratificante para os dois lados da mesa de negociação.

Como o objetivo era mostrar ao cliente a capacidade de desenvolvimento de um aplicativo móvel com rapidez e qualidade, inicialmente se percebeu que não bastaria apenas expressar essas capacidades em frases e imagens de um slide. Optou-se então pela construção de um protótipo cujo layout seria o mais próximo possível do design final e simularia três possíveis funcionalidades do aplicativo. Sabia-se de antemão que seria necessário suportar, pelo menos, as plataformas iOS e Android, que são as mais comuns atualmente. Sendo assim, esse panorama apontava claramente para uma solução híbrida que, uma vez desenvolvida, poderia ser replicada de forma simples para quaisquer plataformas exigidas.

Definidos as funcionalidades e o layout básico, partiu-se para a construção propriamente dita. Um protótipo bem-sucedido baseia-se em dois pilares: automação da geração do projeto e reaproveitamento de código. A automação da geração do projeto proporciona a rapidez e a precisão desejadas, deixando de lado dezenas de tarefas manuais e de difícil replicação. O reaproveitamento de código é o pilar que apoia a produtividade do desenvolvedor, evita a recodificação de elementos comuns e limita a codificação a apenas o que de fato interessa.

Para a geração do projeto foi utilizado o ecossistema chamado Yeoman, que é composto de três elementos distintos: um scaffolding ou base de apoio para a geração do código baseado na ferramenta yo, uma ferramenta de build (Grunt ou Gulp) e um gerenciador de pacotes (como Bower ou npm). Com o Yeoman é possível criar diversos tipos de artefato, incluindo aplicativos móveis baseados no framework Ionic (para desenvolvimento de aplicativos). O Yeoman gera um projeto básico Ionic já estruturado, de forma que fique clara a ideia de se usarem as boas práticas de programação e padrões de design. O framework para aplicativos híbridos Ionic possibilita ao usuário uma experiência aceitável em comparação a um aplicativo nativo. O projeto gerado por esse processo possibilita também a criação de novos componentes para a estrutura de navegação da aplicação e a reutilização de componentes existentes e pré-fabricados que podem e devem ser utilizados como em um kit infantil de blocos para montar.

Uma vez gerado o código do aplicativo básico, as tarefas de codificação foram executadas em uma sprint única supercurta, de apenas dois dias. Todos os elementos de tela definidos pelo time de UX/UI foram implementados utilizando componentes existentes no framework Ionic. As camadas de visualização e controle do aplicativo foram desenvolvidas de forma similar à de um projeto real e poderiam ser reaproveitadas em sua totalidade, caso necessário. Os serviços que manipulam as regras e dados, no entanto, foram construídos de forma a retornar dados estáticos. Vale lembrar que a estrutura permite alterações de forma simples para admitir a inclusão de funcionalidades de persistência.

Apesar de parecer pouco provável a produção de protótipos de qualidade e que possam servir de base para a continuidade de um projeto em tempo tão curto, é possível demonstrar que, conhecendo as ferramentas disponíveis, tanto no portfólio corporativo quanto na comunidade de código aberto, somos capazes de levar aos clientes uma experiência muito mais rica e um ambiente de engajamento muito mais sólido e compatível com as necessidades da nova Era Cognitiva.

Para saber mais:
• http://yeoman.io
• http://gruntjs.com
• http://gulpjs.com
• http://bower.io
• http://ionicframework.com/

Marcio Paulo Guedes é arquiteto de aplicações mobile no time de AIX&M Brasil. O Mini Paper Series é uma publicação quinzenal do TLC-BR e para assinar e receber eletronicamente as futuras edições, envie um e-mail para tlcbr@br.ibm.com.

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