Desmistificando (um pouco) a Indústria 4.0. Por Antonio F. Gaspar Santos.

Por Innovation Insider | 31 Janeiro 2018

A chamada Internet industrial é importante nessa nova onda de transformação da indústria que tem sido referenciada como “Indústria 4.0” ou, simplesmente I4.0. Com ela, novas tecnologias e novas oportunidades de negócios surgem e são disruptivas aos diversos níveis dos modelos atuais. É a quarta revolução industrial.

Recentemente foi publicado aqui no TLC um Mini Paper que descreveu muito bem os conceitos e caracterísitcas da Indústria 4.0. Após ler o referido artigo, voltamos à vida cotidiana e avançamos consumindo informações que acessamos diariamente nas plataformas digitais de conteúdos. Eis que o tema I4.0 é recorrente. Entretanto, ele vem frequentemente agregado a uma série de outros termos possivelmente induzindo o leitor de volta a zona do desconhecido (ou, por vezes, confuso).

Industrial IoT (IIoT), Internet of Things (IoT) e I4.0: o primeiro aspecto a abordarmos aqui, está na relação entre esses três termos. Eles aparecem tão frequentemente associados que praticamente somos induzidos a pensar que são a mesma coisa! Certo? #soquenao.

IoT é obviamente o mais genérico desses três termos. A menção a IoT como “genérico” é justa, pois ele não está somente associado ao contexto da indústria. Aliás, IoT fez sua carreira de sucesso e popularidade no campo da Internet das coisas do consumidor: basta observar o vasto acervo dos dispositivos das residências inteligentes (desde os termostatos até as lâmpadas acionadas a distância por smartfones).

Já o conceito de IIoT, pode-se dizer que ele é a adaptação de IoT para uso na indústria. Seus padrões, melhores práticas e processos são definidos pelo IIC (Industrial Internet Consortium). Entretanto, quando se fala de IIoT, no contexto do IIC, isso se refere não somente à manufatura, mas também aos veículos conectados, otimização de transporte, agricultura instrumentada, casas e cidades inteligentes etc.

Por fim, I4.0 refere-se ao modelo de transformação digital na indústria que, aliás, utiliza IIoT como uma de suas plataformas tecnológicas. Entretanto I4.0 foca exclusivamente na cadeia de manufatura.

Nos temas de I4.0 e IIoT, duas entidades têm dominado as manchetes. São, respectivamente, o Plattform Industrie 4,0, entidade governamental com suas raízes na indústria de manufatura alemã, e o Industrial Internet Consortium (IIC), formado por renomadas empresas de tecnologia, incluindo a IBM.

O segundo aspecto são os chamados pilares da I4.0, ou seja, as tecnologias que viabilizam sua proposta. São eles:
IoT, big data, robos autônomos e colaborativos, computação em nuvem, segurança cibernética, manufatura aditiva, simuladores, integração de sistemas e realidade aumentada.

O terceiro aspecto são os princípios. Além dos pilares tecnológicos, há seis principios que tem sido associados ao tema I4.0. São eles:

Interoperabilidade, no qual objetos, máquinas e pessoas precisam estar aptas a se conectar e interagir;

Virtualização, que permite criação e simulação de situações e modelos reais para testar configurações de ambiente produtivo;

Operação em tempo real, uma smart factory precisa ser capaz de coletar dados, armazenar e analisar em tempo real para a tomada de decisão;

Descentralização, permite que as decisões sejam tomadas de forma independente pelos módulos autonomos de produção, chamados Cyber Physical Systems (CPS);

Orientação a serviços. Esse princípio está associado à Internet of Services. A produção tem que ser “orientada ao cliente”, portanto as pessoas e os dispositivos inteligentes que compõem a manufatura devem se conectar visando a criar produtos baseados nas especificações do cliente;

Modularidade. Em um mercado dinâmico, a adaptabilidade é essencial. Esse principio permite um processo produtivo variável de acordo com as demandas e respectivas facilidades de acoplamento/desacoplamento de módulos produtivos.
No cenário brasileiro os padrões de I4.0 ainda são incipientes devido a um legado de maturidade na adoção de tecnologias e principios inerentes. A expectativa é que a I4.0 trará um impacto de dimensões sem precedentes na história das revoluções industriais.

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