Connected moments. Ou a Internet das Coisas e o marketing.

Por Pyr Marcondes | 28 março 2016

Connected Moments significa a ocasião única em que as marcas se conectam com seus usuários e consumidores no exato instante em que eles estão vivendo, cada qual em particular, um momento muito especial no ambiente digital. Todos conectados pela internet, marcas e compradores vivem uma espécie de epifania interativa, que agora chega ao seu ápice, com a Internet das Coisas.

Essa foi a tese defendida na palestra Transforming the Future: Advertising and the IoT Era no SXSW 2016, pelo muito jovem (24 anos) canadense, descendente de chineses, que acabava ontem de conseguir seu green card, tornando-se assim cidadão norte-americano. Brian Wong estava, portanto, particularmente feliz e, do alto de sua juventude bem-sucedida de indisfarçável gênio da raça, encantou a audiência com o vislumbre de como a Internet das Coisas já está transformando o marketing e vai seguir transformando ainda mais.

Sua empresa, a Kiip, começou desenhando games para marcas. Ali Wong aprendeu uma coisa: recompensar os consumidores deve ser um gesto de marketing que precisa ocorrer antes deles concluírem uma transação e não depois, como fazem hoje todos os programas de filiação que conhecemos. Nos games, a Kiip oferecia pequenas recompensas para estimular os jogadores a interagir com as marcas antes de conquistarem algo.

“As marcas devem criar experiências inesquecíveis para seus consumidores entre as transações. O comportamento do consumidor deve funcionar como um gatilho para a recompensa, que funciona como uma ponte entre uma conversão e outra. Momentos funcionam como moedas que deixamos pelo caminho na jornada do consumidor”, ensina ele.

Wong compara essa dinâmica a do Google, quando criou as ad words. Ali também o consumidor que está em busca de algo na internet tem como recompensa uma oferta feita exclusivamente para seu perfil. Foi a propaganda abraçando os momentos que deu origem as ad words. Wong defende que a propaganda deve continuar fazendo isso como uma dinâmica recorrente. Marcas devem proporcionar momentos. A conversão vem como resultado, não como causa.

Na era da Internet das Coisas, toda essa cadeia está sendo ainda mais otimizada. Wong lembra que carros, escovas de dente, geladeiras, termostatos, cafeteiras, bicicletas, aparelhos de ginastica, enfim, muitas das coisas que usamos no dia a dia estão começando a ficar conectadas. E isso cria um ambiente antes inimaginado de oportunidades para a criação de novos momentos memoráveis entre marcas e consumidores.

Contou um exemplo que viu na China. Um carro conectado entra num shopping center e o sistema interno avisa na tela que o motorista foi agraciado com descontos no ingresso do cinema. O motorista usa o desconto e, depois de assistir ao filme, quando entra novamente no carro para ir embora, toda a trilha sonora já está carregada no seu áudio.

Imagina Wong que um chip no nosso corpo vai avisar que bebemos demais e um Uber pode nos ser oferecido por uma marca de bebida, para nos levar em segurança para casa. Uma escova de dentes pode nos enviar avisos de higiene bucal. Um forno pode ligar automaticamente assim que o alimento seja colocado dentro dele e assa-lo no tempo certo, sem que o consumidor precise fazer nada. Uma câmera acoplada a um sistema de Inteligência Artificial pode dar conta desse recado.

Para Wong, o segredo deve ser transformar propaganda em serviço, no que ele chama de advertising as a service, ou marketing as a service (parafraseando o que no mundo da tecnologia se convencionou chamar de Software As A Service, ou SaaS). Propaganda deixa de ser propaganda para ser distribuidora de conteúdos e serviços.

No mundo da Internet das Coisas, o consumidor não tem que digitar nada, ela não depende de acesso, está conectada o tempo todo. Em todos os momentos especiais de nossas vidas. Basta as marcas se aproveitarem isso.

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