Computação para Vestir

Por Cintia Barcelos | 18 dezembro 2015

Quem poderia imaginar que dispositivos de tecnologia fariam parte do mundo fashion? Hoje já é possível complementar o visual com acessórios como relógios, óculos e roupas inteligentes, também chamados de SmartWatches, SmartGlasses ou SmartClothing. Esses dispositivos são os wearable ou wearable computer (computador para vestir). São dispositivos eletrônicos usados ou mantidos muito próximos ao corpo para coletar ou mostrar informações do usuário ou ampliar os sentidos.

O primeiro wearable que se tem notícia são os óculos, que surgiram em 1268. Bem mais tarde nas décadas de 70 e 80 do século XX vieram outros wearables bem famosos como os relógios com calculadora da Casio e o Sony Walkman que permitia ouvir música das fitas cassete com fones de ouvido. Steve Mann e Thad Starner são pioneiros nessa área e trabalharam juntos no MIT Media Lab Wearable Computer Group. Thad Starner começou a usar continuamente seu primeiro computador wearable em 1993 e hoje lidera a iniciativa do SmartGlass da Google. Em 1997 a IBM lançou um protótipo de um wearable computer semelhante a um SmartGlass e quatro anos mais tarde um relógio de pulso com Linux e conectividade wireless.

Os dispositivos atuais são mais modernos, poderosos, compactos e esteticamente agradáveis e bacanas de usar. Podem suportar cálculos complexos e interagir com sistemas externos através de interfaces. Os desenvolvedores podem então construir aplicações para manipular os dados gerados por esses dispositivos. Empresas como Samsung, Motorola, Google e Apple estão lançando novos wearables. Outras empresas como a IBM, Oracle e SAP atuam no  desenvolvimento de soluções e middleware para essa indústria.

O mercado de wearable computing vem crescendo intensamente. A BCC Research projetou que as vendas mundiais irão atingir 30,2 bilhões de dólares em 2018. Esse crescimento vem de quatro segmentos principais:

Fitness e wellness: monitoram a saúde e os exercícios, analisam e otimizam os dados, como as pulseiras de monitoração e as SmartClothing. Atualmente esse segmento domina o mercado atual.

Sáude e medicina: utilizados para terapia e reabilitação, ajudam médicos através da monitoração constante de sinais e sintomas do paciente, como lentes de contato para monitorar a glicose em pacientes com diabetes e pulseiras especializadas para a terceira idade. As vendas desse segmento crescem 30% ao ano.

Infotainment: utilizados para informação e entretenimento, como SmartGlasses e SmartWatches. Esses dispositivos estão se tornando tão populares que em breve podem assumir a liderança do mercado.

Industrial e militar: ampliam a segurança, eficiência e consciência do usuário sobre o que está em volta dele, como os headsets para realidade aumentada.

Adquiri recentemente um SmartWatch e já incorporei o mesmo ao meu dia a dia. Ele me acompanha na academia e nas corridas e consolida todos os meus dados de exercícios. Permite que eu monitore a agenda, receba mensagens e emails, fale ao telefone diretamente nele por viva voz ou fone bluetooth e chame um táxi. Posso utilizar também para o cartão de embarque no avião e aprendi recentemente com um amigo a fazer minha lista de supermercado com ele, um sucesso! Ele vem ainda com uma funcionalidade adicional para as mulheres. Como ele vibra no pulso quando chega uma ligação, eu não perco mais a chamada ao deixar o celular na bolsa.

No entanto ainda existem inibidores e desafios a serem ultrapassados. O maior deles é mantê-los carregados ao menos 24 horas ou em um turno completo de uso. As redes vão precisar de banda adicional para suportar a quantidade extra de dados, os preços ainda são altos e muitas vezes não são bem aceitos esteticamente. A interação com o usuário ainda é limitada e existem preocupações sérias em relação a privacidade e segurança.

Os consumidores começarão a levar seus wearables para o trabalho, e as empresas precisarão ver ganhos de produtividade para desenvolver novas aplicações que incluam esses dispositivos. A TI deverá ter a infraestrutura necessária para Big Data e Internet of Things (IoT) para integrar os novos fluxos de dados. Mas o maior problema a vencermos com essa tecnologia não é gerenciamento ou segurança e sim a nossa dificuldade como seres humanos para executar múltiplas tarefas simultaneamente.

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