As empresas de telecom tem futuro? Tem: 5G.

Por Pyr Marcondes | 06 Março 2017

O setor parou de crescer no ritmo que crescia e seus custos e investimentos não param de subir. A saída é tecnológica, que por sua vez, vai gerar novas fontes de receita.

Está em curso a construção de uma nova economia. A economia 5G.

Ela se apresenta como a única saída importante para a indústria mobile hoje, um setor que enfrenta uma incômoda estabilização de seu crescimento exponencial de penetração ocorrido na última década, acrescida a uma queda significativa em seu ARPU (métrica do setor que significa rentabilidade por usuário) de 42% nos últimos cinco anos.

O EDTDA das empresas de telecom, segundo consultorias internacionais, vem caindo a uma taxa de 6% anualmente, desde 2010.

Além disso, por conta da necessidade de fazer frente ao acréscimo também exponencial da demanda por dados, as empresas têm precisado investir pesadamente em CAPEX (investimento de capital na construção de infra-estrutura física de novas conexões). Esses investimentos foram feitos com base em tomadas de crédito em mercado por ocasião das evoluções do 2G, 3G e 4G.

Num resumo financeiro desses indicadores, o resultado é que boa parte das empresas de telecom em todo o mundo está alavancada em banco e sua conta simplesmente não fecha.

As projeções cruzadas desses indicadores apontam para crescimento zero de toda a indústria nos próximos anos. Nenhuma operadora suportaria isso.

A saída para esse gargalo? O 5G. Somando-se a ele as possibilidades da Internet das Coisas e da Inteligência Artificial. E dos conteúdos, que podem se transformar em uma nova fonte de receita além de, adicionalmente, funcionarem como dique para o churn, que é o balanço entre a entrada de novos e a saída de atuais usuários do sistema (uma preocupação cotidiana de todas as operadoras do mundo). O conteúdo pode fidelizá-los.

Espera-se que o 5G comece a estar minimente operacional em 2020.Mas por que tanta aposta nele?

Velocidade, qualidade e multi-conectividade

Fundamentalmente porquê todo esse conjunto de novas possibilidades do 5G criam negócios nos quais as companhias do setor jamais imaginaram operar, como carros conectados, cidades conectadas, indústrias conectadas. Tudo conectado, enfim.

5G é a conectividade elevada a um patamar de velocidade e ampliação da capacidade de multi-conexão global muitas vezes superior ao 4G. Trinta vezes em cinco anos, dizem algumas projeções. Em alinhamento com a evolução da Inteligência Artificial, ele será a base tecnológica de suporte para a Internet das Coisas, quando bilhões e bilhões de aparelhos e objetos estarão conectados. Ele viabilizará então não só um usuário mega-conectado, como também as cidades conectadas, a indústria conectada e, em verdade, toda uma nova economia conectada, fundamentada num tráfego de dados, de informação e conhecimento hoje quase inimaginável.

Uma projeção de negócios inimaginável para as telcos.

Mas antes, toda a infra-estrutura, a operação, as leis e normas, os modelos de negócio e as políticas públicas para essa nova economia terão que ser construídos.

No WMC 2017 foi essa a grande discussão de fundo para todas as demais.

O desafio do novo marco regulatório

Não há um standard tecnológico para toda essa nova cadeia de tecnologias disruptivas, um único protocolo 5G global. Há modelos em estudo e leis que se constroem hoje em paralelo continente a continente.

No esclarecedor painel sobre toda essa questão, “Building the 5G Economy”, ou Construindo a Economia 5G, Andrus Ansip, VP Digital Single Market da Comissão Europeia de telecom, foi enfático: “Não podemos permitir a fragmentação mundial do setor”.

Seu receio está baseado no histórico do 4G, em que centenas e centenas de carriers dividem hoje pequenas parcelas do mercado global. Os grandes players do setor como ATT, Verizon, Telefonica, America Movil, Orange, Deutsche Telecom e algumas poucas outras, seguem dominando a indústria internacionalmente. Mas seus líderes alertam que o 5G vai lhes impor (já está impondo) um investimento de enorme volume, hoje projetado sobre margens praticamente inexistentes. Sem um modelo regulamentar que lhes assegure rentabilidade, sua operação se inviabiliza. Parte dessa equação passa pela concentração do setor. Ou seja, encolhimento ou simples eliminação da presença dos menores players.

Em nome dos gigantes do setor, Sunil Mittal, presidente da Bharti Enterprises – e presidente também da GSMA, que organiza o MWC – defendeu no evento a consolidação e concentração global da indústria nas mãos de oligopólios (ele mesmo é o maior acionista da maior operadora telecom da Índia, com grande penetração na Ásia).

Mas qual o modelo?

Para Ajit Pal, Chairman da U.S. Federal Communications Commission, a toda poderosa FCC norte-americana, a saída para isso é uma regulamentação “light” (segundo sua própria expressão), que trace grandes normas gerais. E que cuide de estimular os players a ocuparem não só grandes mercados mais rentáveis, mas também zonas em que a banda larga e o mobile ainda não estão presentes, deixando a solução dos problemas mercadológicos e de negócios a cargo da natural competição da iniciativa privada. Segundo ele, tem sido essa sua bem sucedida política nos EUA (não se sabe ainda o impacto da administração Trump sobre esse setor).

O Brasil entrou nesse cenário durante o MWC 2017. Gilberto Kassab, Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do país, esteve no evento e fechou acordo com a Comunidade Europeia, para troca de informações e pesquisas relativas ao 5G e a Internet das Coisas. Bom passo para o País.

Um grande, desafiador e fascinante caminho a frente, portanto. A bordo de um chip 5G.

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