Aprender, desaprender, reaprender

Por Andrea Nery | 31 maio 2017

Tenho participado de alguns fóruns de gestão e uma reflexão se mostra fortemente presente em distintos grupos: como o avanço da tecnologia tem fomentado o resgate do componente “humano”.

Parece paradoxal, mas trata-se da busca natural de equilíbrio, na qual a tecnologia, o compartilhamento desenfreado de informações e imagens, a era do espetáculo, o anytime & anywhere têm seu contraponto na preservação do propósito de viver, no despertar da cultura do afeto e no resgate da simplicidade do passado, da comida da avó, do bolo sem recheio ou cobertura.

O “TER”, sentimento tão forte pós-Revolução Industrial, dá lugar ao “SER” e suas inquietudes sobre o significado de sucesso. A Revolução Digital cria a sociedade em rede, caracterizada por maior atenção ao crescimento individual e um declínio no conceito preconcebido de comunidade, reconhecida em termos de espaço, trabalho, família e atribuições em geral. Mas cuidado com pré-conceitos: individualização não significa isolamento, ou o fim da comunidade. Em vez disso, as relações sociais passam a ser reconstruídas com base em valores individuais, projetos e afinidades delineando o todo. Nesse cenário, o “PERTENCER” ganha espaço com a visão de que algo só é bom se for bom para todos.

É interessante como esse movimento evolucionário segue um padrão de espiral. Essa reviravolta que leva ao “PERTENCER”, que teve como ponto de partida o avanço da tecnologia, precisa justamente dessa inovação tecnológica, tão inquieta e impactante, para ganhar força.

Essa espiral requer das empresas entender constantemente os novos códigos e forças de influência da sociedade. Isso não quer dizer que as corporações precisam segui-los, mas, sim, entendê-los profundamente e conhecer seu impacto no ecossistema.

Como reconhecer e mapear comportamentos em constante mutação? Ou identificar a reorganização dos grupos em torno de novos interesses comuns? Quais áreas de interesse estão surgindo? Numa era de experimentação, em que “tudo pode tudo”, o que transforma uma experiência em algo excepcional para o indivíduo e para o coletivo?

Há trilhões de gigabytes de dados disponíveis para direcionar as respostas a cada uma dessas indagações. Você já deve ter ouvido a analogia “dados são o mais novo recurso natural do mundo”. E, assim como os recursos naturais do meio ambiente, o valor dos dados surge quando eles são extraídos e refinados. Por isso, abordagens analíticas e preditivas estão aí para nos ajudar a trabalhar os dados para mapear indivíduos, criar perfis, entender correlações e segmentar com um nível de granularidade e assertividade sem precedentes. Entretanto, por mais específica e baseada em dados que seja a tal segmentação de clientes, cada um de nós é um indivíduo único. Eu sei que essa visão de indivíduo não é nova, já faz parte de todas as discussões sobre personalização e experiência, mas minha dúvida paira sobre quanto as organizações realmente estão praticando isso hoje.

Até pouco tempo atrás, a automação e a tecnologia nos permitiam otimizar e agilizar processos, mapear e estudar indivíduos. E também, até pouco tempo atrás, carecíamos do componente capaz de aprender como os humanos aprendem, evoluem e buscam conhecimento.

Felizmente, hoje sistemas cognitivos e inteligência artificial já são uma realidade e nos ajudam a interagir de forma fluida e natural com os indivíduos, com base nas preferências de cada um. Além disso, eles têm o poder de rapidamente injetar novos conhecimentos nos processos e nas interações, evoluindo na escala de aprendizagem e aprimorando a exploração dos dados e a descoberta de insights, padrões e oportunidades únicas.

Respeitar a história, a essência e a identidade do indivíduo torna-se cada vez mais crítico para a sobrevivência de qualquer organização, e a consequência desse movimento é a necessidade latente de estabelecer um propósito claro e genuíno para as organizações e de dialogar direta e naturalmente com clientes, colaboradores, acionistas e outros públicos, gerando relevância para sua existência nos mercados em que decidirem atuar.

Estamos numa era altamente desafiadora para os modelos de negócios conhecidos até então, mas que tem aberto um oceano de oportunidades para aqueles que decidirem surfar essa onda de inovação fundamentada em plataforma de dados, inteligência artificial e sistemas cognitivos. É a evolução da humanidade, uma teoria de sobrevivência determinada pela capacidade de aprendizagem, adaptação e reinvenção. Afinal, como diz Silvio Meira, professor, cientista, engenheiro eletrônico e mestre em informática: “Precisamos aprender a desaprender para aprender alguma coisa nova”.

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