Anunciantes dos EUA criam novo cargo de mídia: vai pegar no Brasil?

Por Pyr Marcondes | 17 agosto 2016

Os mais recentes e desagradáveis incidentes nos EUA acerca da lisura e real eficácia da gestão de mídia por parte das agências no trato das verbas de seus anunciantes acabou por desaguar em um desfecho inusitado: agora a ANA, associação nacional dos anunciantes norte-americanos, determinou que toda grande marca deve ter um cargo relativamente novo em sua hierarquia interna de marketing e comunicação, qual seja, a de gestor de mídia em C level.

Há evidentemente gestão de mídia nos anunciantes, mas agora busca-se uma excelência e um papel definitivamente mais determinante no controle das verbas, que será o de um vigilante controlador de cada etapa do processo de administração de mídia, como nunca antes se fez antes (essa tarefa era mais da agência, certo?).

Na falta de outro nome, aponta reportagem do Ad Age, a indústria está chamando essa nova posição de CMO, para Chief Media Officer, mas isso obviamente confundirá o cargo com o de Chief Marketing Officer e os norte-americanos, que são ótimos para inventar jargões e nomes criativos de cargos, encontrarão uma saída para isso.

Mais difícil vai ser achar os profissionais que de fato preencham o job description do novo cargo, já que dele se espera um gestor acurado da qualidade dos investimentos, da excelência na rentabilidade desses investimentos e que esses investimentos sejam total e transparentemente mensuráveis. Nada sob panos, nem debaixo das mesas.

No final, o que se busca agora do novo cargo é que seu ocupante gere de fato resultados de negócios para a companhia, não mais apenas eficácia técnica de mídia. E ROI não somente dos investimentos em mídia per se, mas de toda a companhia.

Não é fácil achar profissionais com essa complexidade de habilidades e de tão alto grau de senioridade, ao qual se delegaria tarefas de tão elevada relevância estratégica nos negócios das grandes companhias.

Por outro lado, imagine-se a gigantesca janela de oportunidades que se abre aos realmente qualificados profissionais de mídia que tenham skills que vão além daquelas que vinham até agora apresentando.

Tudo isso significa que o profissional de mídia tem hoje uma chance inédita de ascender ao poder dentro da hierarquia C level das grandes corporações, o que raramente ocorreu ao longo da história.

Para citar dois exemplos no Brasil, tivemos Octávio Florisbal e Orlando Lopes, mas não muitos outros mais.

Ainda é cedo para dizer que essa tendência passe a se difundir também no mercado brasileiro, mas não é de todo improvável que isso ocorra.

CV na mão rapaziada!

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