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Agile não é a “bala de prata”

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Vixi e agora hein? Principalmente se você leu o artigo “Agile não é Rapidinho”, você deve estar pensando que eu sou bipolar ou que rolou uma DR entre mim e o Agile.

Nada disso, pelo contrário. Continuo achando Agile um lance muito sinistro, sério mesmo.

Mas como tudo nessa vida de ultimamente, tenho visto uma certa vulgarização, e um certo exagero na forma como os métodos iterativos e incrementais tem sido apresentados por aí. Principalmente quando se tenta explicar o que é e qual o valor de iterar (trabalhar em ciclos curtos, planejando, executando, demonstrando, e corrigindo o curso).

Só pra fazer meu filme, a parte cultural da coisa é realmente muito sinistra. Afinal não importa como você execute: ter confiança, respeito, abertura, coragem, clareza de objetivo, aprendizagem com correção de curso e empoderamento com vistas à inovação, é bonzasso em qualquer contexto.

Ponto.

Agora, você me dizer que cascata é um lixo e não serve pra nada nessa vida, daí eu já acho um exagero.

O próprio W.W. Royce (criador do modelo cascata) já veio a público algumas vezes pra desfazer o mal entendido que o “waterfall model” acabou gerando na grande massa. Mal entendido mesmo, afinal ele nunca propôs que os planos de projeto tivessem prazos gigantescos, sem interações entre os clientes e os times que executam o trabalho. Isso foi uma mancada dada por geral que acabou desvirtuando o propósito inicial e a ideia por trás do contexto proposto por ele.

E pensa bem, uma coisa é você montar um plano de projeto cascata de 1 ano e meio, dois anos, e começar a executar cegamente em cima do PMBOK. Outra é você pegar essa parada toda gigantesca, e quebrar em paradinhas menores que possam ser experimentadas e testadas ao longo do tempo, ainda que executadas no modelo cascata, é ou não é?

Ou seja, o que está por trás dos frameworks, ou o que eu chamo de “ideologia”, é que faz a diferença de verdade, e não a regrinha definida lá e interpretada ao gosto do freguês, sujeita a todo tipo de inferência sem fundamento.

Quer ver?

Imagina o contrário. Faz um release plan “agile” de 1 ano e meio, dois. Com iterações de 6 meses cada uma. Faz sentido? Não importa se você faz reuniões diárias, kanban, retrospectivas no final do ciclo (que nesse caso tem 6 meses, lembra ahahahahahah) porque agindo assim você não se apropria da essência dos benefícios dos métodos iterativos e incrementais (ciclos curtos, apresentação rápida do resultado com vistas a aprendizado e correção de curso, visualização do trabalho com vistas a balanceamento das atividades no time, etc.).

Longa estória curta, o que tô dizendo é que o importante mesmo é ter o cuidado de quebrar um problemão em probleminhas, planejar o trabalho necessário pra resolver cada um deles, interagir o mais próximo possível enquanto executa, mostrar os resultados parciais pro cliente de tempos em tempos (pra garantir que está no caminho correto), e corrigir o curso sempre que necessário.

Falando assim, e de olhos fechados, dá pra imaginar tanto agile quanto cascata, fala aí?

Outro ponto importante pra gente observar é a questão de qual produto ou serviço é alvo do nosso planejamento de trabalho.

Por exemplo, na indústria de cosméticos, que envolve química pesada e riscos sérios à saúde, cê acha mesmo que dá pra ficar iterando, pivotando, a torto e a direito? Não né! Em última instância isso pode levar alguém a morte. Ou seja, cada coisa no seu lugar, cada caso é um caso.

Então na boa, não me vem com esse papo que Scrum, SaFE, etc. são balas de prata, porque não são.

A cultura de agilidade, por outro lado, essa sim é matadora.

Cultura é maior que framework, e mais difícil de aprender e consolidar também. Talvez por isso geral ainda prefira criar métodos, a mudar comportamentos.

Pronto, falei.

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Rodrigo Giaffredo, empresário, palestrante, escritor, executivo, professor, colunista. Sócio da Super-Humanos Consultoria, autor da obra “Reflexões Ácidas, um livro de autoajuda meio indigesto”, líder de Transformação Ágil na IBM América Latina, influenciador da adoção de design thinking, storytelling e métodos ágeis em grandes corporações. Dá aula no MBA executivo da Fundação Dom Cabral - Nova Lima, na pós-graduação em Negócios Digitais da ESPM-SP, e na escola de negócios HSM Management. Apaixonado por inteligência relacional, foi eleito LinkedIn Top Voice Brasil em 2018. Assina colunas no IT Forum 365, no LinkedIn Pulse e no Innovation Insider. Administrador de empresas pós-graduado em Finanças e Mercado Financeiro Brasileiro pela FGV-SP, se especializou em moral contemporânea na Yale University. Para ele, empatia e experimentação são qualidades-chave de organizações ágeis. Usa corte de cabelo moicano, é pai e marido apaixonado, e dono da Frida, uma dachshund velhinha que até hoje faz festa quando ele chega em casa, montado numa Harley Davidson bem barulhenta.

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