Agile não é a “bala de prata”

Por Rodrigo Giaffredo | 18 outubro 2017

* Veja mais no canal “Inovação Possível” do YouTube

Vixi e agora hein? Principalmente se você leu o artigo “Agile não é Rapidinho”, você deve estar pensando que eu sou bipolar ou que rolou uma DR entre mim e o Agile.

Nada disso, pelo contrário. Continuo achando Agile um lance muito sinistro, sério mesmo.

Mas como tudo nessa vida de ultimamente, tenho visto uma certa vulgarização, e um certo exagero na forma como os métodos iterativos e incrementais tem sido apresentados por aí. Principalmente quando se tenta explicar o que é e qual o valor de iterar (trabalhar em ciclos curtos, planejando, executando, demonstrando, e corrigindo o curso).

Só pra fazer meu filme, a parte cultural da coisa é realmente muito sinistra. Afinal não importa como você execute: ter confiança, respeito, abertura, coragem, clareza de objetivo, aprendizagem com correção de curso e empoderamento com vistas à inovação, é bonzasso em qualquer contexto.

Ponto.

Agora, você me dizer que cascata é um lixo e não serve pra nada nessa vida, daí eu já acho um exagero.

O próprio W.W. Royce (criador do modelo cascata) já veio a público algumas vezes pra desfazer o mal entendido que o “waterfall model” acabou gerando na grande massa. Mal entendido mesmo, afinal ele nunca propôs que os planos de projeto tivessem prazos gigantescos, sem interações entre os clientes e os times que executam o trabalho. Isso foi uma mancada dada por geral que acabou desvirtuando o propósito inicial e a ideia por trás do contexto proposto por ele.

E pensa bem, uma coisa é você montar um plano de projeto cascata de 1 ano e meio, dois anos, e começar a executar cegamente em cima do PMBOK. Outra é você pegar essa parada toda gigantesca, e quebrar em paradinhas menores que possam ser experimentadas e testadas ao longo do tempo, ainda que executadas no modelo cascata, é ou não é?

Ou seja, o que está por trás dos frameworks, ou o que eu chamo de “ideologia”, é que faz a diferença de verdade, e não a regrinha definida lá e interpretada ao gosto do freguês, sujeita a todo tipo de inferência sem fundamento.

Quer ver?

Imagina o contrário. Faz um release plan “agile” de 1 ano e meio, dois. Com iterações de 6 meses cada uma. Faz sentido? Não importa se você faz reuniões diárias, kanban, retrospectivas no final do ciclo (que nesse caso tem 6 meses, lembra ahahahahahah) porque agindo assim você não se apropria da essência dos benefícios dos métodos iterativos e incrementais (ciclos curtos, apresentação rápida do resultado com vistas a aprendizado e correção de curso, visualização do trabalho com vistas a balanceamento das atividades no time, etc.).

Longa estória curta, o que tô dizendo é que o importante mesmo é ter o cuidado de quebrar um problemão em probleminhas, planejar o trabalho necessário pra resolver cada um deles, interagir o mais próximo possível enquanto executa, mostrar os resultados parciais pro cliente de tempos em tempos (pra garantir que está no caminho correto), e corrigir o curso sempre que necessário.

Falando assim, e de olhos fechados, dá pra imaginar tanto agile quanto cascata, fala aí?

Outro ponto importante pra gente observar é a questão de qual produto ou serviço é alvo do nosso planejamento de trabalho.

Por exemplo, na indústria de cosméticos, que envolve química pesada e riscos sérios à saúde, cê acha mesmo que dá pra ficar iterando, pivotando, a torto e a direito? Não né! Em última instância isso pode levar alguém a morte. Ou seja, cada coisa no seu lugar, cada caso é um caso.

Então na boa, não me vem com esse papo que Scrum, SaFE, etc. são balas de prata, porque não são.

A cultura de agilidade, por outro lado, essa sim é matadora.

Cultura é maior que framework, e mais difícil de aprender e consolidar também. Talvez por isso geral ainda prefira criar métodos, a mudar comportamentos.

Pronto, falei.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.

White Paper relacionado


Marketing

Como engajar consumidores com recomendações personalizadas em canais de marketing

Este estudo mostra de que forma anunciantes podem utilizar tecnologia para impulsionar recomendações e entregar experiências personalizadas   Coremetrics.pdf (477 downloads)

Artigos Relacionados